segunda-feira, 28 de março de 2011

Adoção (Filiação na Família de Deus)




1) Evidências Bíblicas da adoção;
2) O que a adoção não é;
3) Os privilégios da adoção;

INTRODUÇÃO

Uma das doutrinas mais grandiosas do evangelho e também uma das facilmente esquecidas é a de nossa relação com Deus. A bíblia nos diz que “fomos feitos filhos de Deus”, mas facilmente nos esquecemos que somos filhos, e desenvolve uma mentalidade de órfão. Uma das razões para este desvio são as experiências nos nossos relacionamentos e na história: Gente que já teve experiência de rejeição tende a desenvolver um sentimento de orfandade, e encontra dificuldade para se sentir amado.

J. I. Packer escreve: “É estranho que a verdade da adoção tenha sido pouco apreciada na história cristã”.

Lutero fala que, “se tão-somente soubéssemos que privilégio é [a adoção], todas as riquezas de todo os reinos do mundo não passariam de torpe lixo para nós”.

1) Evidências bíblicas da adoção.

A adoção comparada nos dois Testamentos;

Os puritanos acreditavam na metáfora da “adoção” e dos “filhos de Deus” são válidas para os crentes dos dois Testamentos, mas só no Novo Testamento o poder transformador da adoção vem à tona.

Os crentes da era do Velho Testamento também eram regenerados, estavam intimamente ligados a Cristo e foram adotados para se tornarem filhos de Deus. Os Crentes de todos os tempos eram filhos de Deus. “Eliú, que não era do povo de Israel, chama a Deus seu Pai”. (Jó 34.36).

Os crentes do Antigo Testamento eram “obrigados a sujeitar-se aos fracos e podres rudimentos do mundo, e, como filhos, a ocupar-se com as fúteis cerimônias da instituição mosaica, as quais eram, de certo modo, os brinquedos da Igreja”, sombras mediante sacrifícios e ofertas na terra de Canaã, sacrifícios e ofertas que serviam antes como um obscuro sinal da herança eterna.

Os crentes do Novo Testamento viviam uma superabundante graça e liberdade provindas de Deus e que o seu Irmão Maior tornou merecidas por eles, “Pois, depois que o nosso Irmão Maior, tendo assumido a natureza humana, tinha visitado este mundo inferior e Se submetera livremente a um estado de variada servidão por nós, apresentou-nos a verdadeira liberdade, João 8.36, removeu os tutores e cancelou a escrita das ordenanças, contraria a nós” Ele foi o sacrifício real (1 Pe 2.9).

Ele nos chama “diretamente para a herança espiritual e para boas coisas celestiais, e designa para nós um reino” (cf. Lc 22.29). Agora os crentes são “chamados eminente e enfaticamente filhos de Deus” (1 Jo 3.2), como Isaías tinha profetizado (Is 56.4,5), e o Espírito Santo testifica com os seus espíritos que é isso mesmo (Rm 8.15,16). Deus é conscientemente Seu Pai pessoal, e este nome, “Pai, passa a ser o nome de Deus em relação à nova aliança, representado a família pactual à qual Ele Se obriga em favor dos Seus filhos, de modo que agora eles têm liberdade para clamar, “Abba, Pai” (Gl 4.6).

Os quatros principais textos paulinos que tratam dos crentes como filhos de Deus (Ef 1.45; Gl 4.4-6; Rm 8.15,16; Rm 8.23).

Resumidamente: “Por amor o Pai predestinou eternamente todos os cristãos para este privilégio da adoção. O Pai enviou Seu próprio Filho, Jesus Cristo, ao mundo para nos redimir da maldição da lei transgredida, para que desfrutássemos esta privilegiada posição de filhos adotivos. Agora que estamos em Cristo, não temos o Espírito de escravidão , mas temos a certeza dada pelo Espírito Santo de somos filhos de Deus e de que podemos aproximar-nos dEle confiadamente . O mesmo Espírito Santo, que habita em nós, também dá gemidos antecipatórios em nossa alma [ansiando] pelo estado de ressurreição e glória, que é a meta que Deus designou para nós”

Outros textos bíblicos: Ef 1.5; Gl 4.4,5; Rm 8.17; Jo 1.12; 2 Co 6. 18; Rm 8.15; Gl 4.6; Sl 103.13; Hb 12.6; Hb 6.12; 1 Pe 1.3,4; Hb 1.14.

2) O que a adoção não é.

a) A adoção não é regeneração.

Trata-se de duas bênçãos distintas, embora todos nascidos de novo sejam adotados, e todos aqueles que são adotados é nascido de novo.

Dois problemas:

A adoção lida com a nossa posição. Somos por natureza “filhos da ira” (Ef 2.3) e “filhos do diabo” (1 João 3.10); nossa posição é de alienação e condenação. Devido à remoção do pecado e à obra meritória de Cristo pela obtenção do céu, toda a nossa posição muda, de modo que agora somos chamados filhos de Deus.

Se na adoção recebêssemos apenas o privilégio e a posição de filhos de Deus, algo estaria faltando. O Filho adotivo retém a natureza de seus pais biológicos; ele não assume a natureza de pai adotivo. Deus, na Sua maravilhosa graça, não somente nos dá a posição e o privilégio de sermos Seus filhos por adoção, mas também nos dá o Espírito de filiação como testemunha da nossa adoção, a qual habita em nós mediante a obra regeneradora realizada pelo Espírito. O Espírito Santo implanta em nós uma nova natureza.

A regeneração lida, então, com a nossa natureza, com estes nossos corações pecaminosos que bebem iniqüidade como água. Deus muda as nossas personalidades amantes do pecado mediante o novo nascimento.

Noutras palavras, depois de mudar a nossa posição e de nos adotar inserindo-nos em Sua família como seus Filhos, Deus não mais nos permite que nos portemos como filhos do diabo, Ele nos dá a natureza semelhante que condizem com a nossa filiação.

Deus fez o que nenhum pai ou mãe humanos podem fazer quando adotam uma criança – mudar a personalidade e a natureza da criança que adotaram de modo que sejam semelhantes às deles. Mas Deus, na regeneração, permitiu que Seus filhos, nascidos de novo, se tornassem participantes da Sua natureza santa e amorosa, como seu Pai celestial.

• A regeneração nos une a Cristo; a adoção faz com que o Espírito habite em nossos corações.
• A regeneração é obra renovadora do Espírito; a adoção é obra habitadora do Espírito. Na regeneração, o Espírito edifica a casa para Si mesmo; na adoção Ele habita na casa.
• A regeneração não é condicionada pela fé; a adoção é. (Explicar a que estávamos mortos e Deus nos vivificou texto Ef 2.1-10).
• A regeneração nos torna filhos de Deus pela transmissão do princípio da nova vida (1 Pe 1.23); a adoção nos mantém como filhos de Deus conferindo-nos o poder da nova vida (Jo 1.12).
• A regeneração nos torna participantes da natureza divina; a adoção nos torna participante das afeições divina.
• A regeneração afeta a nossa natureza; a adoção, as nossas relações.

b) Adoção não é justificação.

A justificação é a benção primária e fundamental do evangelho; satisfaz a nossa necessidade espiritual mais básica – perdão e reconciliação com Deus. Não poderíamos ser adotados sem ela. Entretanto, a adoção é uma benção mais rica, porque nos leva da sala do tribunal para o seio da família. “Concebe-se a justificação em termos da lei, a adoção, em termos do amor. A justificação vê Deus como juiz, a adoção, como um pai” Quando um pecador crêem, Deus os torna plenamente Seus filhos, e como tais permanecem. A justificação os declara justos – num momento! Eles vão a Deus como pecadores e desnudos e Lhe pedem que perdoe seus pecados, e Ele responde muito mais abundantemente, além de tudo o que eles possam pedir ou pensar (Ef 3.20). Num momento Deus muda a posição deles para sempre. Eles passam a ser filhos, filhos e herdeiros de Deus, co-herdeiros com Cristo.

A bíblia distingue claramente a justificação e a adoção em Rm 8.14ss., Ef 1.5 e noutros lugares. As Escrituras deixam claro que um a coisa é ser julgado justo, e outra é ser colocado entre os filhos de Deus “uma coisa é Deus nos aceitar como Juiz, outra, aceitar-nos como Pai”. A justificação envolve uma relação legal; a adoção, uma relação pessoal. Ex: O fato de um juiz pronunciar o veredicto de “não culpado” não o compromete a levar o acusado para sua casa e conceder-lhe todos privilégios de filho”.

c) A adoção não é santificação.

A santificação é a simples prática experimental da adoção e da filiação (Jo 1.12; Rm 8.17). É o cultivo das características familiares. Trata-se simplesmente do filho de Deus ter os sinais característicos; fiel ao seu Pai, ao seu Salvador e a si próprio. O Espírito Santo o habilita a romper cada vez mais os traços e laços da antiga vida familiar, e , sob o amor de nosso Pai, a sujeitar-se voluntariamente às disciplinas e à autoridade que Ele exerce para o bem de Seus filhos.

3) Os privilégios da adoção.

Privilégios, liberdades, benefícios, bênçãos ou direitos da adoção, do que qualquer outro aspecto da adoção.

• O nosso Pai nos corta da família a que pertencemos por natureza em adão co mo filhos da ira e do diabo, e nos enxerta em Sua família para fazer-nos membros da família pactual de Deus.
• Nosso Pai nos dá a liberdade de dirigir-nos a Ele pelo Seu nome de Pai, e nós dá um novo nome que serve como garantia da admissão na casa de Deus como filhos e filhas de Deus (Ap 2.17; 3.12).
• Nosso Pai nos presenteia com o Espírito de adoção, ilumina nossa mente, santifica o nosso coração, dá-nos a conhecer a sabedoria e a vontade de Deus, guia-nos à vida eterna, sim, realiza a obra completa da salvação em nós e a sela em nós para o dia da redenção (Ef 4.30).
• Nosso Pai nos outorga semelhantes com Ele e com Seu Filho. O Pai infunde em Seus filhos um coração e uma disposição filial semelhantes aos dEles próprios.
• Especialmente, o nosso Pai fortalece a nossa fé por meio das Suas dádivas de promessas e da oração.
• Nosso Pai nos corrige e nos disciplina, visando à nossa santificação, pois corrige os filhos que ama (Hb 12.6). Owen cita que: “toda repreensão e toda ferida só acrescenta peso à sua coroa”. 1 Co 11.32 nos ensina que “somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”.
• Nosso Pai nos consola com Seu amor e piedade. Is 49.15. • Nosso Pai provê tudo de que necessitamos como Seus filhos, física e espiritualmente (Sl 34.10, Mt 6.31-33).

Fonte: Beeke J. R. Herdeiros com Cristo: Os puritanos sobre a Adoção. São Paulo: PES, 2008. p. 168. Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

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