quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O LADO TRISTE DO NATAL


“Pois já nasceu uma criança, Deus nos mandou um menino que será o nosso rei. Ele será chamado de Conselheiro Maravilhoso, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz”. Isaías 9.6

“Agradeço a Cristo Jesus, o nosso Senhor, que me tem dado forças para cumprir a minha missão. Eu lhe agradeço porque ele achou que eu era merecedor e porque me escolheu para servi-lo. Ele fez isso apesar de eu ter dito blasfêmias contra ele no passado e de o ter perseguido e insultado. Mas Deus teve misericórdia de mim, pois eu não tinha fé e por isso não sabia o que estava fazendo. E o nosso Senhor derramou a sua imensa graça sobre mim e me deu a fé e o amor que temos por estarmos unidos com Cristo Jesus. O ensinamento verdadeiro e que deve ser crido e aceito de todo o coração é este: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. Mas foi por esse mesmo motivo que Deus teve misericórdia de mim, para que Cristo Jesus pudesse mostrar toda a sua paciência comigo. E isso ficará como exemplo para todos os que, no futuro, vão crer nele e receber a vida eterna. Ao Rei eterno, imortal e invisível, o único Deus – a ele sejam dadas a honra e a glória, para todo o sempre! Amém!” 1 Timóteo 1.12-17

Tudo que é falado nesta data é sobre festividade, alegria, enfeites, ceias fartas, viagens, confraternizações e outras coisas mais. Não que isso seja errado, mais isso não é a essencial do natal, não é meu foco aqui fazer uma análise sobre como o natal surgiu porque sabemos que tem raízes pagãs, longe de ser meu foco também dizer a respeito do dia 25 de dezembro porque não tem relação com o nascimento de Jesus, pois não foi essa data que Cristo nasceu. Mas como eu disse esse não é meu foco.

Longe de mim também deixar seu natal triste, ou até mesmo você triste, só quero te alertar que se você não entender o motivo do natal vai passar a vida enganado. O natal tem haver com pecado, pois se não tivéssemos pecados, não teria necessidade de ter nascido um salvador, que é CRISTO JESUS, como lemos no versículo 15 do primeiro capítulo de 1 Timóteo: O ensinamento verdadeiro e que deve ser crido e aceito de todo o coração é este: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior”.

Então o que é pecado?

De imediato posso dizer que é: culpa, delito, iniquidade, transgressão.

Vamos ver o que a Bíblia diz:

“Ai desse povo mau, dessa gente cheia de pecados! Todos são ruins, todos são perversos. Eles abandonaram o Senhor, rejeitaram o Santo Deus de Israel e viraram as costas para ele. Por que vocês continuam a pecar? Será que querem receber mais castigos? A sua cabeça está ferida, e todos estão desanimados. Da cabeça até os pés, o corpo de vocês está machucado, cheio de ferimentos e de chagas abertas, que não foram lavadas, nem enfaixadas, nem limpadas com azeite.” Isaías 1.4-6

Ou seja, o pecado é uma septicemia, doença generalizada, nenhuma parte do corpo interior esta ilesa dessa enfermidade que pode causar a morte. Mas nós não pensamos nisso quando nos lembramos do natal, não é mesmo?

O pecado é uma doença que não tem cura, não tem antibióticos que possa te livrar da morte.

“O Senhor diz à cidade de Jerusalém: O mal deste povo não tem cura, e as suas feridas não saram. Não existe ninguém para cuidar de você. Não há remédio para as suas feridas, não há esperança de cura.” Jeremias 30.12,13,15

Pois não há pecado encoberto como diz o escritor de Hebreus: 

“Não há nada que se possa esconder de Deus. Em toda a criação, tudo está descoberto e aberto diante dos seus olhos, e é a ele que todos nós teremos de prestar contas.” Hebreus 4.13

 Só há um único, vou repetir só há um único remédio para o pecado e está na obra redentora de Cristo na cruz, não por obras, mas somente pela misericórdia de Deus, há uma promessa se você se arrepender e crer em Cristo:
“Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Pois Deus mandou o seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo. Aquele que crê no Filho não é julgado; mas quem não crê já está julgado porque não crê no Filho único de Deus. E é assim que o julgamento é feito: Deus mandou a luz ao mundo, mas as pessoas preferiram a escuridão porque fazem o que é mau. Pois todos os que fazem o mal odeiam a luz e fogem dela, para que ninguém veja as coisas más que eles fazem. Mas os que vivem de acordo com a verdade procuram a luz, a fim de que possa ser visto claramente que as suas ações são feitas de acordo com a vontade de Deus.” João 3.16-21.
 
 
Texto produzido com base na pregação de Heber Campos: O outro lado do natal.

 

 


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sábado, 22 de dezembro de 2012

Atitude em relação à carne.



A Igreja apostólica repudiava a carne. "Carne" não quer dizer seu corpo mortal, pois Deus não tem coisa alguma contra seu corpo. Sua carne é a sua personalidade, o seu ego.

A Igreja do Novo Testamento testificou que foram batizados na morte de Cristo. Quando Ele ressuscitou, eles ressuscitaram e, quando ressuscitaram, o fizeram nele. A velha carne estava morta, e eles eram novas criaturas em Cristo Jesus. Isso era o que ensinavam. Paulo ensinou que, quando os crentes eram batizados, era isso que acontecia. O que era velho acabava, e eles tinham vida nova em Cristo Jesus, o Senhor.

Dizemos que somos descendentes espirituais dos apóstolos e da Igreja apostólica, porque acreditamos no mesmo que eles. No entanto, a nossa atitude com relação à carne é a mesma deles? Muitas igrejas incorporam a carne aos seus programas e, de alguma forma, conseguem glorificar a carne e até escrever livros para mostrar que ela deveria estar ali.

Eles pegam a carne que Deus condenou e trazem de volta à vida. Eles a alimentam, lustram e alisam; eles a educam e dão a ela nomes bonitos. Depois, ela é adotada pela igreja, eleita como membro da diretoria, e dela surgem presbíteros e diáconos. As igrejas são organizadas ao redor da carne e com os valores e padrões da carne. É a carne que a Igreja Primitiva disse ter morrido com Cristo na cruz.

Não sou um velho amargurado com o mundo. Amo as pessoas. E as amo não pelo fato de eu ser mais velho que há 20 anos atrás, mas por ser a mais pura verdade Bíblica. Acreditei antes, acredito agora e espero acreditar até minha morte que o povo de Deus e o mundo têm padrões diferentes. A carne, de forma alguma, tem lugar no Reino de Deus. Devemos excluí-la. Devemos nos livrar do velho homem com as suas obras, por meio do poder do Espírito e do sangue de CRISTO. Devemos despi-la, como despiríamos um casaco velho, e nos revestir do novo homem, que é renovado em Cristo Jesus para a justiça e verdadeira santidade.



Tozer W. A. Resgatando o cristianismo: Um clamor a fé autêntica. 1ª Ed. Belo Horizonte: Editora Motivar, 2009. p. 44 – 45.

 
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Conselhos para uma família




Uma Questão de Família

Desde princípio de tudo, a família tem sido a instituição divina mais próxima ao coração de Deus; ela não é apenas a unidade de construção mais básica da sociedade, mas também da igreja. Eu sugiro – e trata-se apenas de uma sugestão -, que se faça o seguinte. Talvez você encontre outro horário totalmente diferente, de acordo com suas necessidades distintas, mas pelo menos ofereço aqui um ponto de partida para ser discutido.

O Dia do Senhor

Deixe de lado todas as distrações mundanas no domingo, inclusive dos esportes. Reconheço que essa sugestão pode ofender alguns modernos que fizeram dos esportes uma espécie de ídolo, mas é bom possível que a gravação em vídeo tenha sido inventada para permitir que torcedores crentes possam assistir aos jogos mais tarde. Antes do culto, peça aos filhos que tomem nota do sermão, para que, ao voltar para casa, talvez durante o almoço de domingo, cada um possa compartilhar o que aprendeu e discutir o conteúdo e a aplicação com a família. Talvez depois do almoço seja uma boa hora para descansar um pouco, tirar uma soneca, depois da qual se pode realizar alguma atividade em família, como uma caminhada, um passeio ciclístico ou de carro. Voltem a tempo de assistir ao culto da noite. É verdade que a comunhão com os outros crentes na igreja é parte importante do dia do Senhor, mas deve ser secundária à comunhão da “pequena igreja” que se reúne na própria casa, que consiste nos membros da própria família.

A Refeição da Noite

Faça da refeição noturna um tempo especial para a família se reagrupar e discutir os acontecimentos do dia. Em muitos casos, os amigos de nossos filhos terão estilos de vida totalmente diferente e perguntaram por que nossos filhos têm que estar em casa em determinada hora toda noite, mas com o tempo eles mesmos desejarão que os seus pais façam o mesmo. No passado, as famílias protestantes faziam da refeição da noite o tempo para breve oração e memorização do catecismo (guia de perguntas e respostas aos principais temas doutrinários da Bíblia, especialmente para as crianças). Olhando ao redor da mesa, o líder da casa pedia a cada pessoa que lembrasse a pergunta e a resposta, lendo a seguir os versículos referentes àquele ponto do catecismo. Em seguida, conversavam a respeito do que havia sido lido. Isso deu a gerações de protestantes um método simples de ensinar às crianças os pontos essenciais da fé cristã. Isso era visto como principalmente um dever dos pais e, só secundariamente, um dever da igreja.

Noite em Família

Separe um dia da semana que possa se tornar-se tão rotineiro como o jornal da manhã, e use a noite desse dia como a “Noite da Família”. Escolha um bom livro – talvez um romance clássico ou uma coletânea de poesia, de contos ou um conte de fada. Gaste algum tempo com um jogo ou tocando piano ou violão. Talvez vocês queiram fazer um breve estudo bíblico, mas é essencial que as crianças cresçam apreciando e gostando também da literatura secular.

Leitura em Voz Alta

Faça questão de ler para os seus filhos desde a mais tenra idade. Os estudos mostram que crianças cujo os pais leem para elas, até mesmo antes que elas entendam as palavras, ao crescer terão o hábito da leitura e aprenderão com mais facilidade.

Através de anos de pesquisa, o psicólogo de família John Rosemond juntou inúmeras razões pelas quais deve-se desligar a televisão. Ele argumenta que até mesmo os programa projetados para educar são antieducativos, pois se trata de um divertimento passivo. Na verdade, ele atribui muito do Déficit de Deficiência de Atenção ao encurtamento da capacidade de atenção que vem do excesso de divertimento. Os pais, Rosemond ressalta, “preferem uma desculpa genética do tipo, ‘Isso não pôde ser evitado’ a uma explicação de problema de desenvolvimento”, mas as pesquisas tem confirmado as conclusões de Rosemond. A psicóloga Jane Healy, autora de Endangered Minds: Why our Children Don’t Think (Simon and Schuster) [Mentes em perigo: por que nossos filhos não pensam] e Jerome Singer, da Universidade de Yale, estão hoje concordando com isso e eles argumentam que as crianças não deveriam poder assistir a televisão até que estejam completamente alfabetizadas (por volta dos 8 anos de idade).

A Reforma legitimou o casamento como um fim em si, assim como libertou as artes, a filosofia e a política.

Quando os pais leem para seus filhos, especialmente na hora de dormir, as crianças frequentemente aprendem a fazer associações entre o calor e a segurança do amor dos seus pais e um livro, e é então natural que procurem ler em vez de ligar a televisão quando desejarem um sentimento agradável que as pessoas procuram na recreação.

Naturalmente, essas são sugestões, e um tanto superficiais. No entanto, elas nos colocam uma direção geral; e muitas vezes não é por falta de interesse, mas falta de orientação, que as famílias não adotam esses programas. As soluções podem ser surpreendentemente simples, mas exigem fundamentalmente de nós que alteremos os nossos sentimentos e nosso estilo de vida.

Não importa o que se escolha fazer, em todo caso devemos colocar a nossa família em primeiro lugar. Se, depois da refeição a noite, da rotina de domingo, e da “noite em família”, houver ainda tempo para “grupos de crescimento”, estudos bíblicos e serviço voluntários na igreja, melhor. Porém, com excessiva frequência, as famílias se envolvem demais com as atividades da igreja, com os filhos em uniões juvenis e de adolescentes, e os pais em seus grupos separados, que sobra pouco tempo para a família estar junta. O caso da criança que aos poucos foi tornando-se agnóstica porque o pai estava sempre envolvido com o “ministério” e sua mãe com o trabalho feminino, se multiplica por demais nos nossos dias. É hora de recuperarmos a convicção de que nosso ministério mais importante é para com a nossa própria família.

Horton. S. Michael. O cristão e a cultura: Orientação bíblica para o crente. 2ª Ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 141 - 144. Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Mais uma reflexão...

John Piper fez uma reflexão sobre 1 Co. 10.31 em relação ao Jejum:

"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." 1 Coríntios 10:31

Se eu como para a glória de Deus, se eu jejuo para a glória de Deus, qual a diferença entre comer e jejuar?

Ele respondeu:

Quando eu me alimento, eu me alimento do símbolo do pão do céu, por que o pão da terra é símbolo do pão do céu, mas quando eu jejuo, eu não me alimento do símbolo, eu me alimento do próprio pão do céu, eu me alimento de Jesus Cristo!
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domingo, 30 de setembro de 2012

Apenas reflexões...



Mentor de Calvino e principal reformador em Estrasburgo, Martinho Bucer, lamentou:
 
"Hoje em dia, ninguém quer aprender a não ser o que dá dinheiro. Todo mundo corre atrás das profissões e ocupações que dão menos trabalho e trazem maior lucro, sem se preocupar com o próximo ou com a reputação de honestidade e bem. O estudo das artes e das ciências está sendo deixado de lado em favor dos tipos mais baixos de trabalhos manuais... Todas as boas mentes que receberam de Deus a capacidade para estudos mais nobres, estão sendo ocupados com o comércio.
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Será que a doutrina da soberania de Deus pode ser considerada "horrível" e "perigosa"?



Temos aqui, por conseguinte, a refutação daquela maldosa acusação de que a doutrina da soberania divina é uma horrível calúnia contra Deus e perigosa demais para ser ensinada a seu povo. Pode ser “horrível” e “perigosa” uma doutrina que dá a Deus o seu verdadeiro lugar, que mantém os seus direitos, que exalta sua graça, que atribui a Ele toda a glória e que remove da criatura todos os motivos de jactância? Pode ser “horrível” e “perigosa” uma doutrina que oferece aos santos um senso de profunda segurança ante o perigo, que lhes outorga consolação nas tristezas, que neles desenvolve a paciência, diante da adversidade, e que os estimula a levantar louvores aos céus, em todas as oportunidades? Pode ser “horrível” e “perigosa”, uma doutrina que nos assegura da certeza do triunfo final do bem sobre o mal e que nos oferece um descanso seguro para o coração, descanso esse que decorre das perfeições do próprio Soberano? Não, mil vezes não. Longe de ser “horrível” e “perigosa”, essa doutrina da soberania de Deus é gloriosa e edificante. Apreendê-la devidamente é algo que forçosamente nos levará a exclamar, juntamente com Moisés: “Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?” (Êx 15.11).


Pink, A. W. Deus é soberano. São Paulo: Fiel, 2º Ed. 2011. p. 172,173.


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terça-feira, 25 de setembro de 2012

A soberania de Deus confere um senso de absoluta segurança

 
Deus é infinito em poder, e, portanto, é impossível alguém opor-se à sua vontade ou resistir ao cumprimento de seus decretos. Tal afirmação deixa o pecador alarmado. Mas do santo evoca somente louvores. Acrescentemos uma palavra e veremos a diferença que isso faz: Meu Deus é infinito em poder! Portanto, “Não temerei. Que me poderá fazer o homem?” (Sl 118.6). Meu Deus é infinito em poder; portanto, “em me vindo o temor, hei de confiar em ti” (Sl 56.3). Meu Deus é infinito em poder; portanto, “em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro” (Sl 4.8). Através dos tempos, essa tem sido a fonte da confiança dos santos. Não foi essa a segurança de Moisés quando, em suas palavras de despedida ao povo de Israel, disse: “Não há outro, ó amado, semelhante a Deus, que cavalga sobre os céus para tua ajuda e com sua alteza sobre as nuvens. O Deus eterno é a tua habitação, e por baixo de ti estende os braços eternos” (Dt 33.26,27)? Não foi esse senso de segurança que levou o salmista a escrever, movido pelo Espírito Santo: “O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu em quem confio. Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa. Cobrir-te-á com as suas penas, sob suas asas estarás seguro: a sua verdade é pavês e escudo. Não te assustarás do terror noturno, nem da seta que voa de dia, nem da peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que se assola ao meio-dia. Caiam mil ao teu lado, e dez mil à tua direita; tu não serás atingido... Pois disseste: O Senhor é meu refúgio. Fizeste do Altíssimo a tua morada. Nenhum mal te sucederá [pelo contrário, todas as coisas cooperam para o bem], praga nenhuma chegará à tua tenda” (Sl 91.1-7,9-10)?

Peste e mortes voam ao meu redor;
 Se Ele não quiser, não morrerei;
Flecha nenhuma me poderá tocar,
Enquanto não o queira o Deus de amor
(John Ryland)
  
Quão preciosa é essa verdade! Aqui estou eu, uma “ovelha” pobre, insensata, desamparada. Todavia, estou seguro na mão de Cristo. Mas, por que estou seguro na mão dEle? Ninguém pode me tirar dali, porque a mão que me segura é a do Filho de Deus, e a Ele pertence todo poder no céu e na terra! De igual modo, não tenho forças em mim mesmo; o mundo, a carne e o diabo estão formados em batalha contra mim. Por isso me entrego aos cuidados do Senhor, dizendo como o apóstolo: “Sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia” (2 Tm 1.12). E qual é a base da minha confiança? Como sei que Deus é poderoso para guardar aquilo que lhe entreguei em depósito? Eu o sei, porque Deus é Todo-Poderoso, Rei dos reis e Senhor dos Senhores.

Pink, A. W. Deus é soberano. São Paulo: Fiel, 2º Ed. 2011. p. 164,165.


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terça-feira, 11 de setembro de 2012

A harmonia das Escrituras e a soberania de Deus



O supremo exemplo de como Deus exerce uma influência controladora e orientadora sobre os ímpios é a cruz de Cristo, com todas as circunstâncias a ela vinculadas. Se houve uma ocasião na qual a providência se evidenciou, foi no evento da cruz. Desde toda eternidade Deus predestinara cada detalhe desse supremo acontecimento. Nada foi deixado ao acaso ou ao capricho humano. Deus decreta onde, quando e como o seu bendito Filho morreria. Muitas coisas que Deus determinara com respeito à crucificação tinham sido anunciadas por meio dos profetas do Antigo Testamento; de modo que, no cumprimento exato e literal dessas profecias temos uma prova clara, uma demonstração plena, da influência controladora e orientadora que Deus exerce sobre os ímpios. Nada acontece fora daquilo que Deus ordenara, e tudo quanto o Senhor ordenara aconteceu exatamente conforme Ele mesmo propusera. Fora decretado (e revelado nas Escrituras) que o Salvador seria traído por um de seus próprios discípulos – por seu “amigo íntimo” (Sl 41.9; comparar com Mateus 26.50)? Sim; e Judas foi o discípulo que O vendeu. Fora decretado que o traidor receberia trinta moedas de prata por sua horrenda perfídia? Sim; e os sumos sacerdotes foram constrangidos a oferecer-lhe exatamente essa soma. Fora decretado que o dinheiro da traição seria empregado na compra do campo do oleiro? Sim; e a mão de Deus dirigiu Judas de tal modo que devolveu o dinheiro aos sacerdotes, e Deus guiou os sacerdotes para que decidissem fazer exatamente isso (Mt 27.7). Fora decretado que se levantassem “iníquas testemunhas” contra Cristo (Sl 35.11)? Pois bem, foram achados indivíduos dessa natureza. Fora decretado que o Senhor da glória seria açoitado e que Lhe cuspiriam no rosto (Is 50.6)? Ora, não faltaram aqueles que vilmente se prestaram a isso. Fora decretado que o Salvador seria “contado com os transgressores”? Pilatos, sem perceber que estava sendo dirigido por Deus, ordenou sua crucificação juntamente com os dois ladrões. Fora decretado que vinagre e fel Lhe seriam oferecidos, enquanto Ele pendia na cruz? Esse decreto divino foi literalmente cumprido. Fora decretado que soldados cruéis lançariam sortes suas vestes? Então, foi justamente isso que fizeram. Fora decretado que nenhum de seus ossos seria quebrado (Êx 12.46 e Nm 9.12)? Pois bem, a mão orientadora de Deus, permitiu que os soldados romanos quebrassem as pernas dos ladrões, impediu-os de fazer o mesmo com nosso Senhor. Ah! Não foram suficientes os soldados de todas as legiões romanos, não foram suficientes todos os demônios de todas as hierarquias de Satanás, para quebrar um único osso do corpo de Cristo. E por que não? Porque o Soberano onipotente tinha decretado que nenhum de seus ossos seria quebrado. Precisamos demorar-nos ainda mais neste parágrafo? No que se refere à crucificação, o cumprimento acurado e literal de tudo que as Escrituras predisseram, não demostra, sem qualquer controvérsia, que um poder onipotente estava dirigindo e supervisionando tudo quanto foi feito naquele dia?
 
Pink, A. W. Deus é soberano. São Paulo: Fiel, 2º Ed. 2011. p. 98,99


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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A graça restauradora de Deus - D. M. Lloyd Jones




Assim é a graça restauradora de Deus. Ele dá recuperação à alma, conforme o Seu maravilhoso amor e a Sua admirável bondade. Podemos resumir assim a doutrina. Na vida cristã nada é fortuito; nada acontece ou se passa por acaso. Haverá alguma coisa mais consoladora, mas maravilhosa do que saber que estamos nas mãos de Deus? Ele controla todas as coisas. Ele é o Senhor Deus Todo-poderoso, o Senhor do universo, que faz todas as coisas de acordo com o conselho da Sua vontade eterna. Ele derramou Seu amor sobre você; portanto, nada pode feri-lo. “Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.” Ele não permitirá que você se perca. Pode acontecer que você caia profundamente em pecado e que se extravie para longe, mas não ficará prostrado definitivamente; Ele o segurará, impedindo-lhe a queda final. Ele sempre o traz de volta. “Ele restaura a minha alma”, diz o salmista. E depois de restaurar-lhe a alma, Ele o conduzirá a “pastos verdejantes” e “para junto das águas de descanso”. E Ele o tratará de maneira tão maravilhosa que você achará difícil crer que fosse possível chegar a fazer o que fez. Ó graça restauradora de Deus!


Não é a nossa ignorância o nosso maior problema? Falamos tantos das decisões e do que fazemos! Precisamos aprender a pensar desta outra maneira e a enxergar que é Deus quem faz isso tudo. Você nunca decidiu por Cristo; foi Ele que lançou mão de você e, para empregar a expressão de Paulo, prendeu-o (ver Filipenses 3:12). Por isso você decidiu-se. Vá além da sua decisão. Que é que levou a decidir-se? Volte ao princípio, à graça de Deus. Tudo é Sua graça e, se não fosse, ainda quando você se decidisse por Cristo, bem depressa se decidiria por outra coisa, cairia, e se iria de uma vez. Mas você não pode cair da graça de Deus. Em seu turvo intelecto e em seu confuso pensamento pode, não, porém de fato. Ó a graça salvadora de Deus! Mas depois precisamos ser restringidos e, quando cairmos, precisaremos ser restaurados. E Ele faz isso tudo! É preciso entender que “Deus é o que opera em vós”, do princípio ao fim. Graças a Deus por Sua graça admirável – graça salvadora, restringente, maravilhosa graça salvadora! “Todavia ainda estou contigo.” É quase incrível, mas é verdade. “Ainda estou contigo.”



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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Incapacidade da Vontade Humana - Arthur W. Pink




Está na esfera da vontade humana a capacidade de aceitar ou rejeitar o Senhor Jesus como Salvador? Visto que o evangelho é anunciado ao pecador e que o Espírito Santo o convence de sua condição de perdido, está no poder de sua própria vontade resistir ou render-se a Deus? As respostas destas perguntas definem nossa opinião a respeito da depravação do homem.

Todos os crentes concordam com o fato de que o homem é uma criatura caída. Mas, freqüentemente, é muito difícil determinar o que eles querem dizer ao utilizarem o vocábulo “caído”. A impressão geral parece ser esta: o homem não está mais na mesma condição em que saiu das mãos do Criador; ele está sujeito a enfermidades e herdou tendências perversas; mas, se empregar ao máximo as suas habilidades, o homem será, de alguma maneira, capaz de desfrutar o máximo da felicidade.

Oh! quão distante isso está da terrível verdade! Enfermidades, doenças e a morte física são apenas ninharias em comparação com os resultados morais e espirituais da Queda! Somente quando examinamos as Escrituras Sagradas, podemos obter alguma idéia correta a respeito da extensão dessa terrível calamidade. Quando dizemos que o homem é totalmente depravado, estamos afirmando que a entrada do pecado na constituição humana afetou todas as partes e todas as faculdades do homem. A depravação total significa que o homem, em seu corpo, alma e espírito, é escravo do pecado e servo de Satanás — está andando de acordo com “o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef 2.2).

Não precisamos argumentar em favor desta verdade; é um fato comum da experiência dos homens. O homem é incapaz de atingir suas próprias aspirações e concretizar seus próprios ideais. Ele não pode fazer as coisas que gostaria de fazer. Existe uma incapacidade moral que o paralisa. Esta é uma prova de que ele não é um ser livre e que, ao contrário disso, é um escravo do pecado e de Satanás. “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos” (Jo 8.44).

O pecado é muito mais do que uma atitude ou uma série de atitudes; é a constituição do próprio homem. O pecado cega o entendimento, corrompe o coração e separa o homem de Deus. E a vontade do homem não escapou dos efeitos do pecado. A vontade está sob o domínio do pecado e de Satanás. Portanto, a vontade não é livre. Em resumo, as afeições amam e a vontade escolhe de acordo com o estado do coração; e, visto que este é enganoso e desesperadamente corrupto, mais do que todas as coisas, “não há quem entenda, não há quem busque a Deus” (Rm 3.11).


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A Maldição do Homem Moderno - A. W. Tozer


Os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a Palavra. Marcos 4:19

Existe uma maldição antiga que permanece conosco até hoje: a disposição da sociedade humana de ser completamente absorvida por um mundo sem Deus.

Embora Jesus Cristo tenha vindo a este mundo, este é o pecado supremo dos incrédulos, o qual levou o homem a não sentir - nem sentirá - a presença dEle que permeia todas as coisas. O homem não pode ver a verdadeira Luz, tampouco pode ouvir a voz do Deus de amor e verdade.

Temos nos tornado uma sociedade "profana" - completamente envolvida em nada mais do que os aspectos físico e material desta vida terrena. Homens e mulheres se gloriam do fato de que são capazes de viver em casas luxuosas, vestir roupas de estilistas famosos e dirigir os melhores carros que o dinheiro pode comprar - coisas que as gerações anteriores nunca puderam ter.

Esta é a maldição que jaz sobre o homem moderno: ele é insensível, cego e surdo em sua prontidão de esquecer que existe um Deus. Aceitou a grande mentira e crença estranha de que o materialismo constitui a boa vida. Mas, querido amigo, você sabe que o seu grande pecado é este: a presença eterna de Deus, que alcança todas as coisas, está aqui, e você não pode senti-Lo de maneira alguma, nem O reconhece no menor grau? Você não está ciente de que existe uma grande e verdadeira Luz que resplandece intensamente e que você não pode vê-la? Você não tem ouvido, em sua consciência e mente, uma Voz amável sussurrando a respeito do valor e importância eterna de sua alma, mas, apesar disso, tem dito: "Não ouço nada?"

Muitos homens imprudentes e inclinados ao secularismo respondem: "Bem, estou disposto a agarrar minhas chances". Que conversa tola de uma criatura frágil e mortal! Isto é tolice porque os homens não podem se dar ao luxo de agarrar as suas chances - quer sejam salvos e perdoados, quer sejam perdidos. Com certeza, esta é a grande maldição que jaz sobre a humanidade de nossos dias - os homens estão envolvidos de tal modo em seu mundo sem Deus, que recusam a Luz que agora brilha, a Voz que fala e a Presença que permeia e muda os corações.

Por isso, os homens buscam dinheiro, fama, lucro, fortuna, entretenimento permanente ou apego aos prazeres. Buscam qualquer coisa que lhes removam a seriedade do viver e que os impeça de sentir que há uma Presença, que é o caminho, a verdade e a vida.

Eu mesmo fui ignorante até aos 17 anos, quando ouvi, pela primeira vez, a pregação na rua e entrei numa igreja onde ouvi um homem citando uma passagem das Escrituras: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim... e achareis descanso para a vossa alma" (Mt 11. 28,29).

Eu era realmente pouco melhor do que um pagão, mas, de repente, fiquei muito perturbado, pois comecei a sentir e reconhecer a graciosa presença de Deus. Ouvi a voz dEle em meu coração falando indistintamente. Discerni que havia uma Luz resplandecendo em minhas trevas.

Novamente, andando pela rua, parei para ouvir um homem que pregava, em um cantinho, e dizia aos ouvintes: "Se vocês não sabem orar, vão para casa, ajoelhem-se e digam: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador". Isso foi exatamente o que eu fiz. E Deus prometeu perdoar e satisfazer qualquer pessoa que estiver com bastante fome espiritual e muito interessado, a ponto de clamar: "Senhor, salva-me!"

Bem, Ele está aqui agora. A Palavra, o Senhor Jesus Cristo, se tornou carne e habitou entre nós; e ainda está entre nós, disposto e capaz de salvar. A única coisa que alguém precisa fazer é clamar com um coração humilde e necessitado: "ó Cordeiro de Deus, eu venho a Ti; eu venho a Ti!"
 

Fonte: Editora Fiel
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terça-feira, 31 de julho de 2012

Os Blogs Nossos de Cada Dia


No Púlpito Cristão
Pregamos com veemência:
Voltemos ao Evangelho
É uma questão de urgência

Apenas queremos isso
E por isso lutaremos.
O Tempora! O Mores!
Mas como Bereianos ouviremos

Pela Defesa do Evangelho
Faremos Apologética Cristã
Chega de apóstolos loucos
Pregando doutrinas vãs.

Se esses apostatas são crentes
E neles você acredita, saiba:
Eu Sou mais Crente que Você
Porque acredito na Bíblia

Queremos a sã doutrina
Com boa mensagem, o evangelho,
Teologia et cetera

Chega de maldições,
Prosperidades, G12s,
Falsos moveres e outras quimeras…

Cinco Solas pregava a reforma
Verdadeira Arte de Chocar
Que na época revolucionou
Quem o sacerdócio queria centralizar.

Portanto, é Pela Volta ao Evangelho
Que erguemos a nossa voz.
Buscando sempre o Auxílio do Alto
Sabendo que não estamos sós.

Por isso não desistiremos
Seremos a Voz do que Clama na Net
Em todo tempo, denunciando
E anunciando a palavra que subverte.

Sempre em Cristo… que sempre tem os que não se dobram.
***
Por Joacy Júnior, que é irmão em Cristo, blogueiro, com este talento extraordinário de poetisar verdades! Edita seu blog Pela Volta ao Evangelho e é nosso parceiro de caminhada. Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

terça-feira, 24 de julho de 2012

A Morte de Cristo



A Morte de Cristo
N. 173
Sermão pregado na manhã de Sábado, 24 de janeiro de 1858,
por Charles Haddon Spurgeon,
No Music Hall, Royal Surren Garden.


“Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão.”
Isaías 53:10

Que miríades de olhos estão lançando seus olhares para o sol! Que multidão de homens levantou seus olhos e observou as órbitas estelares do Céu! Elas são constantemente observadas por milhares – mas existe uma grande transação na história do mundo a qual merece todos os dias muito mais espectadores do que aquele sol que sai como um noivo, forte para iniciar sua corrida. Há um evento que atrai, todos os dias, muito mais admiração do que o sol, a lua e as estrelas conseguem, quando marcham em seus percursos. Esse evento é a morte do nosso Senhor Jesus Cristo – a isto os olhos de todos os santos que viveram antes da era Cristã sempre estiveram direcionados – e para trás, através dos milhares de anos de história, os olhos de todos os santos olham para ela! Os anjos no Céu olham constantemente para Cristo. "Coisas que até os anjos anseiam observar," (1 Pedro 1.12) disse o Apóstolo. Em Cristo os inumeráveis olhares dos redimidos estão fixados. E milhares de peregrinos, por esse mundo de lágrimas, não têm objeto melhor para sua fé, nem desejo melhor para sua visão do que ver Cristo enquanto ele está no Céu e em comunhão para observar a Sua Pessoa! Amados, teremos muitos conosco enquanto, nesta manhã, voltarmos a nossa face para o monte do Calvário. Não seremos espectadores solitários da temerosa tragédia da morte do nosso Salvador. Nós devemos lançar nossos olhares para o lugar que é o foco da alegria e do prazer do Céu – a Cruz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Tomando o nosso texto como guia, devemos visitar o Calvário, esperando ter a ajuda do Espírito Santo enquanto olhamos para Aquele que morreu na Cruz. Quero que vocês notem esta manhã, antes de tudo, a causa da morte de Cristo "foi da vontade do Senhor esmagá-lo."‖"Foi da vontade de Jeová esmagá-lo"‖ diz o original. "E fazê-lo sofrer."‖ Em segundo lugar, a razão da morte de Cristo – "O Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa."‖ Cristo morreu porque ele foi uma oferta pelo pecado. E depois, em terceiro lugar, os efeitos e as consequências da morte de Cristo. "Ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão."‖ Venha, Espírito Sagrado, enquanto nós atentamos a falar sobre estes temas incomparáveis!

I. PRIMEIRO, nós temos aqui A ORIGEM DA MORTE DE CRISTO. "Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer."‖ Aquele que lê a vida de Cristo como mera história, associa a morte de Cristo com a inimizade dos judeus e com o caráter inconstante do governador romano. Nisto ele age com justiça, pois a morte e o pecado da morte de Cristo devem bater à porta da humanidade. Essa nossa corrida torna-se um deicídio e matou o Senhor e pregou o seu Senhor em um madeiro! Mas aquele que lê a Bíblia com os olhos da fé – desejando descobrir os seus segredos – vê algo mais na morte do Salvador do que a crueldade romana ou a malícia judaica. Ele vê o decreto solene de Deus cumprido pelos homens, que foram os ignorantes, mas instrumentos culpados de sua realização! Ele olha para a lança e a haste romanas, para os insultos e zombarias dos judeus, para a Fonte Sagrada, da qual todas as coisas fluem e traçam a crucificação de Cristo ao peito da Deidade! Ele concorda com Pedro – "Este homem lhes foi entregue por propósito determinado e pré-conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, o mataram, pregando-o na cruz."‖ Não devemos imputar a Deus o pecado, mas ao mesmo tempo o fato, como todos os seus efeitos maravilhosos na redenção do mundo, de que nós devemos sempre traçar para a Fonte Sagrada do Amor Divino. Como faz o nosso Profeta. Ele disse, ―foi da vontade de Jeová esmagá-lo.‖ Ele despreza tanto Pilatos quanto Herodes, e traça para o Pai celestial, a primeira pessoa na Divina Trindade - "Foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer."‖

Agora, Amados, há muitos que pensam que o Deus Pai não é nada além de um espectador indiferente da salvação. Outros O difamam ainda mais. Olham para Ele como um Ser sem amor, severo, que não teve nenhum amor para com a humanidade e que só poderia se tornar amável através da morte e das agonias de nosso Salvador. Isso é uma difamação suja com a Graça justa e gloriosa do Deus Pai, a quem devemos sempre dar honra – pois Jesus Cristo não morreu para tornar Deus amável – Ele morreu porque Deus era amável! –

 “Não foi para fazer o amor de Jeová,
Ao redor de Seu povo arder,
Que Jesus do Trono acima,
Um homem sofredor se tornou.
Não foi a morte que Ele suportou,
Nem todas as dores que Ele suportou,
Que o amor eterno de Deus procurou,
Pois Deus era amor antes.”

Cristo foi enviado ao mundo pelo Seu Pai com consequência da afeição do Pai pelo seu povo. Sim, Ele "amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (João 3.16) O fato é que o Pai decretou tanto a salvação, como tanto a efetuou, e deleitou-se tanto nela quanto o fez o Deus Filho e o Deus Espírito Santo! E quando nós falamos do Salvador do mundo, devemos sempre incluir nessa palavra, se falarmos em sentido amplo, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo – pois todos esses Três, como um só Deus, nos salvam de nossos pecados! O texto tira todo o pensamento pesado sobre o Pai ao dizer que foi da vontade de Jeová esmagar Jesus Cristo. A morte de Cristo leva ao Deus Pai! Vamos tentar ver isso.

Primeiramente, ela leva a um decreto. Deus, o único Deus do Céu e da Terra, tem o Livro do Destino inteiramente em Seu poder. Neste livro não há nada escrito pelas mãos de um estranho. A caligrafia do solene Livro da Predestinação é, do começo ao fim, inteiramente Divina. –

“Acorrentado a Seu trono está um volume,
Com todos os destinos dos homens-
Com todas as formas e tamanhos de anjos
Feitos pela pena eterna”

Nenhuma mão inferior esboçou sequer a mínima parte da Providência. Ela foi toda, do seu Alpha, ao seu Ômega, do seu prefácio Divino, ao seu final solene, marcada, projetada, esboçada e planejada pela mente do Sábio, Onisciente Deus. Portanto, nem mesmo a morte de Cristo está isenta disso! Aquele que levanta um anjo e guia um pardal; Ele que impede que os nossos cabelos caiam de nossas cabeças prematuramente, quando Ele se preocupa com coisas tão pequenas, para omitir em Seus solenes decretos a maior maravilha dos milagres da terra – a morte de Cristo! Não, a página daquele Livro manchada de sangue, a página que faz tanto o passado quanto o futuro serem gloriosos com palavras de ouro – essa página manchada de sangue, eu digo - foi mais escrita por Jeová do que por qualquer outro! Ele determinou que Cristo deveria nascer da Virgem Maria, que Ele deveria sofrer sob Pôncio Pilatos, que Ele deveria descer ao Hades, que da morte Ele deveria ressuscitar, levando cativo o cativeiro e em seguida reinar para sempre à direita da Majestade, nas alturas! Não, eu não sei nada além de que terei a Escritura para a minha justificação quando eu digo que essa é a verdadeira véspera da Predestinação e que a morte de Cristo é o verdadeiro centro e a mola principal pela qual Deus formou todos os Seus outros decretos – fazendo disso a essência e a pedra fundamental sobre a qual a arquitetura sagrada deveria ser construída! Cristo foi posto à morte pelo decreto previsto e solene de Deus Pais, e neste sentido, "foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer."

Mas um pouco mais adiante – a vinda de Cristo ao mundo para morrer foi o efeito da vontade e do prazer do Pai. Cristo não veio a este mundo por acaso. Ele se deitou no coração de Jeová diante de todos os mundos, eternamente deleitando-Se em Seu Pai e ser, Ele mesmo, a eterna alegria de Seu Pai. "Na plenitude dos tempos" (Efésios 1.10) Deus tirou o Seu filho de Seu seio, o Seu Filho unigênito, e livremente O enviou para nós. Este foi incomparável, inigualável amor, - que o Juiz permitiu que o Seu Filho sofresse as dores da morte para a redenção de um povo rebelde! Eu quero a imaginação de vocês para criar uma cena dos tempos antigos. Há um Patriarca barbudo que acorda de manhã cedo e acorda o seu filho, um jovem cheio de força, e ordena que ele levante e o siga. Eles saem de casa sem fazer nenhum barulho, antes que a mãe acorde. Eles partem numa jornada de três dias com os seus homens até chegarem ao monte sobre o qual o Senhor havia falado. Vocês conhecem o Patriarca. O nome de Abraão está sempre fresco em nossa memória. No caminho, esse Patriarca não troca uma só palavra com o seu filho. Seu coração está muito cheio para falar. Ele está sobrecarregado pela tristeza. Deus havia mandado que ele tomasse o seu filho, seu único filho, e mata-lo na montanha como um sacrifício. Eles vão juntos. E quem pode imaginar a imensurável angústia da alma desse pai, enquanto ele anda lado a lado com o seu filho amado, de quem ele será o executor? O terceiro dia chegou. Os servos são ordenados para ficar no sopé da montanha, enquanto eles vão subindo para adorar a Deus. Agora, pode alguma mente imaginar como o sofrimento desse pai supera todas as margens de sua alma, quando, enquanto ele subia, o seu filho disse, "As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto?‖ Você pode imaginar como ele sufocou suas emoções e, com soluços, exclamou, ―Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho?" Vejam! O pai comunicou ao seu filho o fato de que Deus demandara a sua vida! Isaque, que poderia ter lutado e escapado de seu pai, declara que ele deseja morrer se Deu havia decretado isso. O pai toma o seu filho, prende suas mãos atrás de suas costas, ajunta as pedras, constrói um altar, deita a lenha e tem o seu fogo pronto. E agora onde está o artista que pode pintar a angústia da contenção do pai, quando a faca está desembainhada e ele a segura – pronto para matar o seu filho?

Mas aqui a cortina cai. Agora a cena escura desaparece com o som de uma Voz dos Céus! O carneiro preso nos arbustos serve como substituto e a obediência da fé não precisa ir mais longe. Ah, meus Irmãos e Irmãs. Eu quero tirar vocês dessa cena e levar a uma muito maior. O que a fé e a obediência fizeram o homem fazer, esse amor obrigou Deus, Ele mesmo, a fazer! Ele tinha apenas um Filho, aquele Filho que era o deleite de Seu próprio coração. Ele convencionou a levar o Seu filho para a nossa redenção, para que Ele não quebrasse a Sua promessa, pois quando a plenitude dos tempos chegou, Ele enviou o Seu Filho para nascer da Virgem Maria e sofrer pelos pecados dos homens! Oh, você pode imaginar a grandeza desse amor, que fez o Deus eterno não apenas colocar o Seu Filho sobre o altar, mas realmente cumprir o que estava escrito e trespassar a faca sacrifical no coração de Seu Filho? Você pode pensar em quão esmagador deve ter sido o amor de Deus para com a raça humana quando Ele completou em ato o que Abraão fez apenas em intenção? Olhe e veja o lugar onde o Seu único Filho morreu na Cruz – a Vítima sangrenta da Justiça desperta! Isso é amor de fato! E aqui nós vemos como foi da vontade do Pai esmagá-Lo.

Isso me permite pressionar meu texto mais um passo adiante. Amados, não é apenas verdade que Deus tenha projetado e permitido com complacência a morte de Cristo – é mais verdade ainda que as imensuráveis agonias que vestiram a morte do Salvador com terror sobre-humano foram o efeito do pugilismo do Pai de Cristo de fato! Há um mártir na prisão – as correntes estão em seus pulsos e ainda assim ele canta. Foi anunciado a ele que amanhã será o dia da sua sentença. Ele bate as suas mãos alegremente e sorri, enquanto diz, "Amanhã será o trabalho cortante. Irei me alimentar sobre as tribulações de fogo, mas depois eu cearei com Cristo! Amanhã é o dia do meu casamento, o dia pelo qual eu há muito esperava – quando eu assinarei o testamento da minha vida por uma morte gloriosa."‖ A hora chegou. O homem com as alabardas o precede pelas ruas. Note a serenidade no semblante do mártir! Ele vira para alguns que olham para ele e exclamam, "Eu valorizo estas correntes de ferro muito mais do que se fossem de ouro! É maravilhoso morrer por Cristo!"‖ Existem alguns dos santos mais ousados recolhidos ao redor da estaca, e enquanto ele tira a suas vestes, antes de se colocar em frente ao fogo para receber a sua sentença, ele os diz que é algo tremendo ser um soldado de Cristo – poder dar o seu corpo para ser queimado. E ele acena com as mãos para eles e diz "Adeus,"‖ com alegre satisfação! Alguém poderia pensar que ele estava indo para o seu casamento, e não indo ser queimado. Ele fica diante do fogo. A corrente é colocada em seu meio. E depois de uma breve palavra de oração, assim que o fogo começa a ascender, ele fala com as pessoas com audácia viril. Mas ouçam! Ele canta enquanto a madeira estala e a fumaça sobe. Ele canta e quando suas partes baixas estão queimadas, ele continua cantando docemente algum Salmo antigo. "Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade. Por isso não temeremos, embora a terra trema e os montes afundem no coração do mar."

Imaginem outra cena. Lá está o Salvador indo para a Sua Cruz, totalmente fraco e abatido com o sofrimento. Sua alma está doente e triste com Ele. Não há Calma Divina ali. Seu coração está tão triste que Ele desmaia nas ruas. O Filho de Deus desmaia sob uma Cruz que muitos criminosos devem ter carregado. Eles O pregam na cruz. Não há nenhuma canção de louvor. Ele é erguido no ar e lá Ele permanece suspenso, preparando-se para a Sua morte. Você não ouve nenhum grito de exultação. Há uma compressão severa em Sua face, como se uma agonia indizível estivesse arrancando o Seu coração – como se mais uma vez o Getsêmani estivesse acontecendo na Cruz – como se a Sua alma ainda dissesse, "Meu Pai, se for possível, afasta de mim esta Cruz; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres" (Mateus 26.39) Ouçam! Ele fala. Ele não vai cantar as mais doces canções que já vieram dos lábios do mártir? Ah, não – é um terrível gemido de desgraça que jamais poderá ser imitado. "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?" (Marcos 15.34) Os mártires não disseram que – Deus estava com eles. Antigos confessos não choraram tanto quando viram a morrer. Eles gritaram enquanto queimavam e louvaram a Deus em seu suplício. Por que isto? Por que o Salvador sofreu tanto? Por que, Amados, porque foi da vontade do Pai esmagá-lo! Esse brilho da Face de Deus que havia alegrado muitos santos a morrer foi tirado de Cristo! A consciência da aceitação com Deus, a qual havia feito muitos homens santos receberem a Cruz com alegria – não foi concedida ao nosso Redentor e, portanto, Ele sofreu em densa escuridão de agonia mental. Leia o Salmo 22 e aprenda o quanto Jesus sofreu. Pausem nas solenes palavras do 1º, 2º, 6º e seguintes versículos. Sob a Igreja estão os braços eternos. Mas sob Cristo não havia braço algum! A mão de Seu Pai colocou-se pesadamente sobre Ele. As pedras superiores e inferiores da Ira Divina O pressionaram e O esmagaram. E nem uma gota de alegria ou consolação foi concedida a Ele. "Foi da vontade de Jeová esmagá-lo e fazê-lo sofrer." Isto, meus Irmãos e Irmãs, foi o clímax da aflição do Salvador – que o Seu Pai virou-se Dele e O fez sofrer.

Assim eu expus a primeira parte do assunto – a origem do pior sofrimento de nosso Salvador, o prazer do Pai.

II. Nosso segundo tópico deve explicar o primeiro, caso contrário, seria um mistério insolúvel saber como Deus pôde fazer o Seu filho sofrer – o qual era perfeitamente Inocente – enquanto pobres falhos confessos e mártires não tiveram tal sofrimento vindo Dele no momento de suas tribulações. QUAL FOI A RAZÃO DO SOFRIMENTO DO SALVADOR? A nós é dito aqui, "o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa."‖Cristo foi assim perturbado porque a Sua alma foi uma oferta pelo pecado. Agora eu serei o mais simples que eu conseguir enquanto eu prego a preciosa Doutrina da Expiação de Cristo Jesus nosso Senhor. Cristo foi uma Oferta pelo pecado, no sentido de ser um Substituto. Deus queria salvar. Mas se tal palavra for permitida, a Justiça atou Suas mãos. "Eu devo ser Justo,"‖ disse Deus. "Essa é uma necessidade da Minha Natureza. Firme como o destino e rápido como a Imutabilidade é Verdade que eu devo ser Justo. Mas o Meu coração deseja perdoar – para passar pelas transgressões dos homens e perdoá-los. Como isso pode ser feito?"‖A sabedoria chegou e disse, "Assim deverá ser feito."‖ E o Amor concordou com a Sabedoria. "Cristo Jesus, o Filho de Deus, deve ficar no lugar do homem e ser ofertado no Monte do Calvário no lugar do homem." Agora, notem – quando vocês veem Cristo sendo lançado na Cruz de madeira, você vê toda a companhia de Seus eleitos ali! E quando vocês veem os pregos cravados em Suas benditas mãos e seus pés, é todo o corpo da Sua Igreja que está lá, no seu Substituto, cravado na madeira! E agora os soldados levantam a Cruz e a colocam no suporte preparado para isso. Seus ossos estão, cada um deles, deslocados e Seu corpo está tão despedaçado de agonias que não se pode nem descrever! Esse homem sofrendo ali! Ali está a Igreja sofrendo no Substituto! E quando Cristo morre, você deve olhar para a Sua morte não como a Sua própria morte, mas como a morte de todos aqueles por quem Ele foi o Bode expiatório e o Substituto! É verdade, Cristo realmente morreu. É igualmente verdade que Ele não morreu por Si mesmo, mas como o Substituto, no lugar de todos os crentes. Quando vocês morrerem, vão morrer por si próprios. Quando Cristo morreu, Ele morreu por vocês, se vocês são crentes Nele! Quando vocês passem pelos portões da sepultura, vocês vão solitários e sozinhos. Vocês não são representantes de um corpo de homens – vocês passam pelos portões da morte como indivíduos – mas, lembrem, quando Cristo passou pelos sofrimentos da morte, Ele foi a Cabeça representativa de todo o Seu povo!

Entendam, então, o significado no qual Cristo foi feito Sacrifício pelo pecado. E aqui está a glória dessa questão – foi como um Substituto pelo pecado que Ele realmente e literalmente sofreu a punição pelos pecados de todos os Seus eleitos! Quando eu digo isto, eu não estou usando uma figura de linguagem ou algo do tipo, mas eu realmente quero dizer isto. O homem, pelos seus pecados, foi condenado ao fogo eterno. Quando Deus tomou Cristo para ser o Substituto, é verdade, Ele não enviou Cristo ao fogo eterno, mas derramou dor sobre Ele – uma dor tão desesperadora que foi um pagamento válido até para uma eternidade em chamas! O homem foi condenado a viver para sempre no Inferno. Deus não enviou Cristo para ficar no Inferno para sempre. Mas Ele colocou em Cristo uma punição que foi equivalente a isso. Embora Ele não tenha dado a Cristo o verdadeiro Inferno dos crentes, deu a Ele uma retribuição igual – algo que foi equivalente a isso! Ele tomou a taça da agonia de Cristo e colocou nela – sofrimento, miséria e angústia – tais que só Deus pode imaginar ou sonhar a respeito, que foram o equivalente a todo o sofrimento, toda a aflição e todas as torturas eternas de todos que devem ir ao Céu, comprados pelo sangue de Cristo! E você pergunta, "Cristo bebeu tudo isso por sua escória? Ele sofreu tanto assim?"‖ Sim, meus Irmãos e Irmãs, Ele tomou o cálice e –

“Em um triunfante gole de amor,
Ele bebeu toda a condenação.”

Ele sofreu todos os horrores do Inferno – uma saraivada de ferro caiu sobre ele com granizos maiores do que qualquer capacidade. Ele permaneceu até que a nuvem negra esvaziasse completamente. Ali estava a nossa dívida, gigante e imensa. Ele pagou até o último centavo de qualquer coisa que o Seu povo devia! E agora não há mais nenhum centavo devido à Justiça de Deus no caminho da punição de qualquer cristão! E embora nós devamos gratidão a Deus, embora devamos muito ao Seu amor – nós não devemos nada a Sua Justiça, pois Cristo, naquela hora, tomou todos os nossos pecados – passado, presente e porvir e foi punido por todos eles – não devemos jamais ser punidos porque Ele sofreu no nosso lugar! Vocês conseguem ver, agora, como foi que o Deus Pai O esmagou? Se ele não tivesse feito isso, as agonias de Cristo não poderiam ser um equivalente aos nossos sofrimentos. O Inferno consiste na ocultação da face de Deus dos pecadores e se Deus não tivesse escondido a Sua face de Cristo, Cristo não poderia – eu não vejo como Ele poderia – ter suportado qualquer sofrimento que poderia ter sido aceito como equivalente às aflições e agonias de Seu povo!

Eu acho que ouvi alguém dizer, "Você quer que nós entendamos esta Expiação que você nos pregou agora como um fato literal?" Eu digo, mais que solenemente, que sim! Existem no mundo várias teorias sobre a expiação – mas eu não consigo ver em nenhuma delas alguma Expiação, a não ser nessa Doutrina da Substituição. Muitos teólogos dizem que Cristo fez algo quando morreu, que permitiu que Deus fosse justo e ainda Justificador dos ímpios. O que foi esse algo eles não dizem para nós. Eles acreditam numa expiação feita para todos. Mas, no fim, a expiação deles é apenas isto – eles acreditam que Judas foi tão reparado quando Pedro – eles acreditam que os condenados no Inferno foram um objeto da satisfação de Jesus Cristo tanto quanto os salvos no Céu! E embora eles não digam isso com todas as palavras, eles ainda querem dizer isto – pois isto é uma inferência justa, que, no caso das multidões, Cristo morreu em vão – pois Ele morreu por todos, eles dizem. E foi tão sem efeito a Sua morte por eles, que embora Ele tenha morrido por eles, eles serão todos condenados depois! Agora, tal expiação, eu desprezo – eu rejeito! Posso ser chamado de Contra a Lei, ou Calvinista por pregar uma Expiação Limitada, mas eu prefiro acreditar numa Expiação Limitada que é eficaz para todos a quem ela foi destinada, a acreditar numa expiação universal que não é eficaz para ninguém, a não ser que a vontade do homem esteja de acordo com ela! Porque, meus Irmãos e Irmãs, se nós fôssemos salvos apenas para que através da morte de Cristo qualquer um de nós pudesse se salvar depois, a Expiação de Cristo não valeria um centavo, pois não há nenhum dentre nós que possa se salvar – não, ninguém no Evangelho! Se eu serei salvo pela fé – se essa fé for o meu próprio ato, sem a assistência do Espírito Santo, - eu serei tão incapaz de me salvar pela fé quanto de me salvar pelas boas obras! E depois de tudo, embora os homens chamem isto de Expiação Limitada, isto é tão eficaz quanto as suas redenções falaciosas e apodrecidas pretendem ser! Mas vocês conhecem o limite dela? Cristo comprou uma "multidão que homem nenhum pode contar."‖O seu limite é apenas esse – Ele morreu por pecadores. Qualquer um nesta congregação que se reconhece, interiormente e tristemente, como um pecador, Cristo morreu por ele! Qualquer um que deseja Cristo deve saber que Cristo morreu por ele! Nosso senso de necessidade de Cristo e nossa busca por Cristo são provas infalíveis de que Cristo morreu por nós! E notem, aqui está algo substancial – os Armínianos dizem que Cristo morreu por eles. E depois, pobres homens, eles não têm nada além de um pequeno consolo, pois eles dizem, "Ah, Cristo morreu por mim – isso não prova muita coisa. Isso apenas prova que eu serei salvo se me importar com o que serei depois. Eu posso, talvez, me esquecer de mim. Talvez eu corra para o pecado e pereça. Cristo fez um bom negócio por mim – mas não o bastante – a não ser que eu faça algo."‖

Mas o homem que recebe a Bíblia como ela é, diz, "Cristo morreu por mim, então a minha vida eterna está garantida! Eu sei,"‖ ele diz, "que Cristo não pode ser punido no lugar de um homem e o homem ser punido depois disso. Não,"‖ele diz, "eu creio em um Deus justo, e se Deus é Justo, Ele não vai punir Cristo primeiro, e depois punir os homens. Não – o meu Salvador morreu e agora eu estou livre de qualquer exigência da vingança de Deus e posso caminhar por esse mundo em segurança. Nenhum raio pode me atingir, e eu posso morrer absolutamente certo de que para mim não haverá fogo nenhum do Inferno, pois Cristo, meu Resgate, sofreu em meu lugar, e, portanto, eu estou liberto!" Oh, Doutrina Gloriosa! Eu gostaria de morrer pregando isso! Que melhor testemunho podemos carregar com o amor e a fidelidade de Deus, do que o testemunho de um Substituto eminentemente satisfatório para todos os que creem em Cristo? Eu vou citar aqui o testemunho desse profundo teólogo, Dr. John Owen – "A Redenção é o livramento de um homem da miséria através da intervenção de um libertador. Agora, quando um libertador é pago para salvar um prisioneiro, a justiça não demanda que ele deve ter e aproveitar a liberdade comprada por ele com uma consideração valiosa? Se eu pudesse pagar mil libras pela liberdade de um homem da escravidão para aquele que o detém – quem tem o poder de libertá-lo e está contente com o preço que eu dei – não seria injusto para mim e para o pobre prisioneiro que a sua libertação não fosse concretizada? Pode, possivelmente, ser concebida a ideia de que existisse uma redenção aos homens, e os homens não fossem redimidos? Que um preço fosse pago e a compra não fosse consumada? Além disso tudo, ainda haveria verdadeiros e inumeráveis absurdos, se a redenção universal fosse aceita. Um preço é pago por todos, porém apenas alguns são libertos. A redenção de todos consumada, e ainda assim só alguns são redimidos? O juiz satisfeito, o carcereiro dominado, e os prisioneiros ainda na prisão? Sem dúvida, 'redenção' e 'universal', onde grande parte dos homens perece, são tão irreconciliáveis quanto 'Romano' e 'Católico.' Se há uma redenção universal, então todos os homens estão redimidos! Se eles estão redimidos, então eles estão livres de toda a miséria, virtual ou realmente, onde quer que tenham sido aprisionados, e isso pela intervenção de um libertador. Por que, então, não são todos salvos? Em uma palavra – a redenção feita por Cristo, sendo a libertação completa das pessoas de toda a miséria, em que foram enlaçadas, pelo preço do Seu sangue – não pode ser concebida como universal, a não ser que todos sejam salvos! Então a opinião dos Universalistas não serve para a redenção."

Eu paro mais uma vez, pois eu ouço uma alma tímida dizer – "Mas, Senhor, eu tenho medo de não ser um eleito e, se assim for, Cristo não morreu por mim." Pare, Senhor! Você é um pecador? Você sente isso? O Espírito Santo de Deus fez você se sentir um pecador perdido? Você precisa da salvação? Se você não precisa dela, não há dúvidas de que ela não foi prometida para você. Mas se você realmente sente que precisa dela, você é eleito de Deus! Se você tem o desejo de ser salvo, um desejo dado a você através do Espírito Santo, esse desejo é um sinal para o bem. Se você tem orado verdadeiramente pela salvação, você tem aí uma clara evidência de que você é salvo! Cristo foi punido por você. E se você sabe disso, você pode dizer –

“Nada em minhas mãos eu trago
Simplesmente à Tua Cruz eu me apego”

Você deve ter tanta certeza de que é eleito de Deus quanto tem de sua própria existência! Esta é a prova Infalível da Eleição – um senso de necessidade e uma sede de Cristo!

III. E agora eu tenho apenas que concluir considerando os BENDITOS EFEITOS da morte do Salvador. Nisto eu serei breve.

O primeiro efeito da morte do Salvador é, "ele verá sua descendência."‖Os homens serão salvos por Cristo. Os homens têm uma descendência pela vida. Cristo tem uma descendência pela morte! Homens morrem e deixam seus filhos e não veem a sua descendência. Cristo vive e todos os dias vê a sua descendência posta na unidade da fé! Um efeito da morte de Cristo é a salvação de multidões. Notem – não é uma salvação de chance. Quando Cristo morreu, o anjo não disse, como alguns o tem representado, "Agora pela Sua morte, muitos deverão ser salvos."‖A palavra da profecia extinguiu todos os "mas"‖ e "talvez." "Pela Sua justiça, muitos serão justificados." Não havia nem um átomo de chance na morte do Salvador! Cristo sabia o que estava comprando quando morreu – e o que Ele comprou, Ele terá – nada mais, nada menos! Não efeito na morte de Cristo propensa a um "talvez." O "será"‖fez logo a Aliança! A morte sangrenta de Cristo irá efetuar o seu propósito solene. Cada herdeiro da Graça Divina irá encontrar no Trono –

“Irá bendizer as maravilhas de Sua Graça,
E tornar as Suas glórias conhecidas.”

O segundo efeito da morte de Cristo é, "Ele prolongará seus dias." Sim, bendito seja o Seu nome, quando Ele morreu, Ele não acabou com a Sua vida! Ele não poderia ser como um prisioneiro no túmulo. O terceiro dia chegou e o Conquistador, levantando de Seu sono, desatou os grilhões da morte e saiu de Sua prisão, para não mais morrer. Ele esperou os Seus 40 dias e depois com hinos sagrados, Ele "levou cativo o cativeiro e subiu ao alto.‖" "Pois, quanto a ter morrido, morreu de uma vez para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus,"‖(Romanos 6.10) para não mais morrer –

“Agora ao lado de Seu Pai Ele assenta,
E ali triunfante reina,”

O vencedor sobre a morte e o Inferno!

E, por fim, pela morte de Cristo o prazer do Pai foi efetuado e próspero. O prazer de Deus é que este mundo será um dia totalmente redimido do pecado. O prazer de Deus é que este pobre planeta, há tanto tempo mergulhado em escuridão, irá em breve brilhar como um sol nascente. A morte de Cristo fez isso! O ribeiro que fluiu ao Seu lado no Calvário limpará o mundo de toda a sua escuridão. Essa hora de escuridão no meio do dia foi o nascer de um novo sol de justiça que nunca cessará de brilhar sobre a Terra. Sim, está chegando a hora em que espadas e lanças serão coisas esquecidas – quando as armaduras da guerra e o esplendor da pompa serão todos deixados de lado para alimentar as minhocas ou para contemplação dos curiosos. É próxima a hora em que a antiga Roma tremerá sobre suas sete colinas! Quando o emblema de Maomé não mais será reduzido à cera – quando todos os deuses dos pagãos perderão os seus tronos e serão atirados às toupeiras e aos morcegos! E depois, do Equador aos Polos, Cristo será honrado, o Senhor supremo da Terra, de terra a terra, do rio até o fim do mundo! Um Rei irá reinar, um grito será levantado, "Aleluia, aleluia, o Senhor Deus Onipotente reina!"‖Então, meus Irmãos e Irmãs, será visto o que a morte de Cristo realizou, pois "a vontade do Senhor prosperará em sua mão." Amém. Amém. Amém.
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domingo, 22 de julho de 2012

O dinheiro compra tudo?


Não é verdade que com dinheiro pode-se ter todas as coisas? Então eu afirmo que ...

Com ele pode-se comprar comida, mas não o apetite.
Medicamentos, mas não à saúde.
Almofadas macias, mas não um sono tranquilo.
Amizades com os homens mas não a paz da conciência.
Distrações, mas não alegrias.
Ostentação e luxo, mas não felicidade.
Amigos interesseiros, mas não fidelidade.
Gozo, mas não tranquilidade  de espírito.

A salvação é Dom Gratuito de Deus!

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie." Efésios 2.8,9


"E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós? E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus." Lucas 12:13-21

"Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão." 1 Timóteo 6:6-11

Para deixar claro, não estou querendo dizer que ser rico é pecado, não, estou dizendo que a riqueza quando chega ao nível de soberba, egoísmo, e quando não é compartilhada com os necessitados, ai sim, é a raiz de todo os males. (1Tm 6.10)

"Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas." Apocalipse 3:17-18




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VERSÍCULO CHAVE:

 “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. (Gênesis 1:26)”

 “Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou. (Salmos 95:6)”


MÉTODO DE ESTUDO

 O grande objetivo deste estudo é que o aluno tenha um encontro com Deus através de Sua Palavra. Fundamentado na convicção de que as Escrituras são a inspirada e infalível Palavra de Deus, este estudo foi planejado de tal forma que é literalmente impossível para o aluno prosseguir sem uma Bíblia aberta diante dele. Nosso objetivo é obedecer a exortação do apóstolo Paulo em 2 Timóteo 2:15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.”

Cada lição lida com um tema específico relacionado à doutrina do homem. O aluno irá completar cada lição respondendo às questões de acordo com os textos bíblicos fornecidos. O aluno é encorajado a meditar sobre cada texto e escrever suas considerações. O benefício alcançado a partir deste estudo dependerá do investimento do aluno. Se o aluno responde as questões impensadamente copiando o texto e sem buscar entender seu significado, muito pouco será conquistado.

O aluno irá descobrir que isto é antes de tudo um estudo Bíblico, e não contém muito no caminho de ilustrações coloridas, histórias fantásticas, ou mesmo comentários teológicos. Era nosso desejo fornecer um trabalho que apontasse apenas para o caminho das Escrituras, e permitisse que as Escrituras falassem por si mesmas.

 Este livro pode ser usado um indivíduo, um pequeno grupo, ou escola bíblica dominical. É altamente recomendável que o aluno conclua cada capítulo por si próprio antes de se encontrar para discussão e questionamento com o grupo ou líder de discipulado.

EXORTAÇÃO AO ALUNO

O aluno é encorajado a estudar a doutrina Bíblica e descobrir sua elevada posição na vida cristã. O verdadeiro cristão não pode suportar ou mesmo sobreviver a um divórcio entre as emoções e o intelecto, ou entre a devoção a Deus e a doutrina de Deus. De acordo com as Escrituras, nem nossas emoções nem nossas experiências fornecem um fundamento adequado para a vida cristã. Apenas as verdades da Escritura, entendidas com a mente e comunicadas através da doutrina, podem fornecer aquele infalível fundamento sobre o qual nós devemos estabelecer nossas crenças e comportamento, e determinar a validade de nossas emoções e experiências. A mente não é a inimiga do coração, e a doutrina não é um obstáculo à devoção. Ambas são indispensáveis e deveriam ser inseparáveis. As Escrituras nos ordenam a amar ao Senhor de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, e com todo o nosso entendimento (Mateus 22:37), e adorar a Deus tanto em espírito quanto em verdade (João 4:24).

O estudo da doutrina é uma disciplina tanto intelectual quanto devocional. É uma busca apaixonada pela verdade de Deus que deverá sempre levar a grande transformação pessoal, obediência e adoração sincera. Portanto, o aluno deve estar prevenido contra o grande erro de buscar apenas conhecimento impessoal, e não a pessoa de Deus. Nem a devoção negligente, nem a procura meramente intelectual são produtivas, pois em ambos os casos, Deus não é honrado.

Sumário

 •A Criação do Homem

 •A Queda de Adão

 •A Queda da Humanidade

 •Morte espiritual e inabilidade moral

 •Escravidão a Satanás

 •O caráter e a Universalidade do Pecado

 •A Disposição de Deus em relação ao Pecador

 •O Julgamento de Deus contra o Pecador

 •O Julgamento Final do Ímpio

 •Inferno


Lição 1: A Criação do Homem

As Escrituras nos ensinam que o homem não é um acidente ou o resultado de alguns processos impensados, mas a obra criativa do Deus eterno. Após ter Deus criado todas as outras criaturas, Ele formou o primeiro homem, Adão, a partir do pó da terra, soprou o fôlego de vida em suas narinas e ele se tornou um ser vivente. A partir de Adão, Deus então formou a mulher, Eva, para ser sua companheira e auxiliadora. A eles foi ordenado que multiplicassem e enchessem a terra que foi colocada sob seu domínio. Toda a humanidade possui a origem comum nesta união de Adão e Eva.

A Escritura é clara que tanto homem quanto mulher foram criados por Deus e para Deus, e encontram sentido para sua existência apenas ao amá-lO, glorificá-lO, e ao fazer Sua vontade. Singulares entre todas as criaturas, apenas eles foram criados à imago dei, ou imagem de Deus, e somente a eles foi concedido o privilégio de viver em pessoal e ininterrupta comunhão com Ele.

Estas verdades são de grande importância para nós, pois elas definem quem nós somos e o propósito para o qual nós fomos criados. Nós não somos os autores de nossa própria existência, mas fomos trazidos à existência pela graciosa vontade e poder de Deus. Nós não pertencemos a nós mesmos, mas ao Deus que nos criou para Seus próprios propósitos e para sua satisfação. Buscar separar-se de Deus é separar de nós mesmos a vida. Viver independentemente de Sua pessoa e vontade é negar o propósito para o qual fomos criados.

1. No segundo capítulo de Gênesis é encontrado o relato das Escrituras da criação do homem. Baseado em Gênesis 2:7, resuma este relato. O que ele comunica a nós sobre a origem do homem e seu relacionamento com Deus?

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2. No segundo capítulo de Gênesis também é encontrado o relato da criação da primeira mulher, Eva. Baseado em Gênesis 2:21-23, resuma o relato bíblico da criação da mulher. O que ele comunica a nós a sobre a origem da mulher e seu relacionamento com Deus?

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3. Tendo estabelecido a verdade de que o homem é a obra criativa de Deus, devemos considerar sua singularidade entre o resto da criação. De acordo com as seguintes frases de Gênesis 1:26, qual a singularidade do homem em relação ao resto da criação?

a. Façamos o homem…

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Nota: Deus não diz, “Haja,” como com o resto da criação (1:3, 6, 14), mas “Façamos.” Isso comunica a ideia de uma relação pessoal mais importante. A conjugação do verbo na primeira pessoa do plural do presente do conjuntivo (Façamos…), tem duas possíveis interpretações: (1) É um plural de majestade. Era comum apresentar a realeza mencionando-a como uma pluralidade. (2) É uma referência à Trindade. A criação envolve o Pai, o Espírito (Gênesis 1:2) e o Filho (João :1-3; Colossenses 1:16).

b. À nossa imagem…

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Ajuda: Deus não diz “segundo sua espécie,” como com o resto da criação (1:11-12, 21, 24-25), mas “à nossa imagem.” A humanidade é singular entre a criação, pois somente dela é dito que carrega a imago dei ou imagem de Deus. A imagem de Deus pode referir-se ao seguinte: Personalidade – Adão e Eva eram criaturas pessoais e autoconscientes. Eles não eram meros animais movidos por instinto ou máquinas programadas para responder a certos estímulos. Espiritualidade - As Escrituras declaram que “Deus é Espírito” (João 4:24), e portanto é razoável esperar encontrar o mesmo atributo no homem que foi criado à imagem de Deus. Adão e Eva eram mais do que barro animado, eles eram espirituais, providos de uma genuína capacidade de conhecer a Deus, ter comunhão com Deus, e responder a Deus em obediência, adoração e ação de graças. Conhecimento – Em Colossenses 3:10, as Escrituras descrevem um aspecto da imagem de Deus como tendo um verdadeiro conhecimento de Deus. Isso não significa que Adão e Eva conheciam tudo o que se pode conhecer de Deus – uma criatura finita nunca pode compreender plenamente um Deus infinito. Mais precisamente, significa que o conhecimento que eles possuíam era puro ou genuíno. Autodeterminação ou Vontade – Adão e Eva foram criados com uma vontade, eles possuíam o poder da autodeterminação, e lhes foi concedida a liberdade de escolher. Imortalidade – Embora Adão e Eva tenham sido criados e, portanto, tiveram um começo, e embora cada momento de suas próprias existências dependesse do favor de seu Criador, eles foram dotados com uma alma imortal – uma vez criada, ela nunca deixaria de existir. A imortalidade da alma deveria levar todos os homens a considerar cuidadosamente a apavorante responsabilidade da autodeterminação. Uma vez que a alma é eterna, as escolhas que fazemos terão consequências eternas das quais não haverá escapatória.

c. Tenha ele domínio…

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Ajuda: Ao homem e à mulher foi dado o privilégio e a responsabilidade de dominar sobre toda a criação como vice-regentes de Deus. Seu domínio não deveria ser independente do domínio de Deus, mas em perfeita conformidade com Sua vontade. Eles deveriam reinar para o benefício e o cuidado da criação, e para a glória de Deus.

4. Em Gênesis 1:26-28, nós aprendemos que o homem é singular entre o resto da criação, pois somente Ele foi criado à imagem de Deus. Nas seguintes passagens das Escrituras, vamos descobrir que, apesar de o homem ser singular, ele compartilha um propósito comum com o resto da criação – ele não foi criado para si mesmo, mas para a glória e a satisfação de Deus. O que as seguintes passagens das Escrituras nos ensinam a respeito desta verdade?

Salmo 104:31
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Romanos 11:36

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Colossenses 1:16

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5. As Escrituras ensinam que o homem e a mulher foram criados por Deus e para Deus, e encontram sentido para sua existência apenas ao amá-lO, glorificá-lO e ao fazer Sua vontade. Nós não somos os autores de nossa própria existência, mas fomos trazidos à existência pela graciosa vontade e poder de Deus. Nós não pertencemos a nós mesmos, mas ao Deus que nos criou para seus próprios propósitos e satisfação. Em vista destas grandes verdades, como a humanidade deveria reagir?

a. Reverência: Salmo 33:6-9

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b. Adoração: Salmo 95:6

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c. Serviço: Salmo 100:2-4

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d. Amor: Marcos 12:30

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e. Glória e Honra: 1 Coríntios 10:31

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Lição 2: A Queda de Adão

De acordo com Seu próprio intento e beneplácito, Deus criou Adão e Eva e ordenou que eles não comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal. A obediência à ordem levaria a uma vida contínua, tanto de alegre comunhão com Deus tanto de domínio sobre a criação. A desobediência à ordem levaria à morte espiritual e física e todos os males decorrentes delas.

Adão e Eva foram tentados e desobedeceram à ordem. Por causa de sua desobediência, sua comunhão com Deus foi quebradas e eles caíram de seu estado original de justiça e santidade. Tais consequências devastadoras da desobediência de adão não foram limitadas a ele, mas resultaram na queda de toda a raça humana. Apesar de as Escrituras não removerem todo o mistério que cerca esta grande verdade, elas afirmam que o pecado e a culpa de Adão foram imputados, ou creditados, a todos os seus descendentes, e que todos os homens sem exceção são agora nascidos carregando a natureza caída de Adão e exibindo a hostilidade de Adão para com Deus.

Estes pontos serão discutidos nas lições que se seguem, começando com a Queda de Adão.

A Queda de Adão

Após ter Deus criado Adão à Sua imagem, Ele lhe deu uma simples ordem: “Da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás.” Um aviso seguiu esta proibição: “No dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:17). A obediência de Adão para com Deus o levaria a um contínuo ou possivelmente até mesmo maior estado de felicidade. Sua desobediência levaria à morte.

1. Em Gênesis 2:16-17 são encontrados a ordem e o aviso dados a Adão. Leia o texto até que você se familiarize com seu conteúdo e então responda às seguintes perguntas:

a. De acordo com o versículo 16, que privilégio Deus deu a Adão? Como tal privilégio prova que Deus se importava com Adão e não desconsiderava suas necessidades?

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b. De acordo com o versículo 17, que proibição foi dada a Adão? O que foi dito a Adão para que não fizesse?

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c. De acordo com o versículo 17, qual seria a pena pela desobediência à ordem de Deus?

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2. Em Gênesis 3:1-6 é encontrado o registro bíblico de como Adão e Eva foram tentados a desobedecer à ordem de Deus. Leia o texto até que você se familiarize com seu conteúdo, e então responda às seguintes perguntas:

a. No versículo 1, as Escrituras declaram que uma serpente literal tentou a Eva. De acordo com Apocalipse 12:9 e 20:2, quem era aquele trabalhando na serpente e através da serpente?

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b. De acordo com os versículos 4 e 5, que promessa Satanás fez a Eva?

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c. De acordo com o versículo 6, como Eva e seu esposo Adão responderam à tentação de Satanás através da serpente?

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3. Gênesis 3:7-10 registra os resultados imediatos da desobediência de Adão e Eva. Leia o texto diversas vezes até que você se familiarize com seu conteúdo e então escreva seus pensamentos. Quais foram os resultados da desobediência deles?

a. Versículo 7

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b. Versículos 8-10

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Nota: (a) Com um ato de desobediência, Adão e Eva caíram de seu estado original de justiça para a corrupção moral. Seus corações e mentes não eram mais puros, mas se tornaram maculados e vergonhosos. As coberturas que eles fizeram com folhas de figueira foram uma tentativa impotente de esconder sua vergonha, seu pecado, e sua corrupção. (b) O pecado sempre resulta em medo e separação de Deus. O homem pecaminoso foge da santa presença de Deus e teme Seu justo julgamento.

4. Tendo considerado os resultados imediatos da desobediência de Adão, vamos agora considerar os julgamentos divinos que caíram sobre a serpente, Eva, e Adão. Leia Gênesis 3:14-24 e então descreva tais julgamentos que afetaram a todos nós:

a. O Julgamento Divino sobre a Serpente (vs. 14-15):

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b. O Julgamento Divino sobre a Mulher (v. 16):

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Nota: A frase: “Teu desejo será para teu marido,” pode descrever uma das seguintes opções: (1) O relacionamento da mulher com seu marido seria marcado pelo anelo e a falta de satisfação. (2) A mulher que buscou independência de Deus agora teria um desejo exagerado ou uma ânsia pelo homem. (3) O relacionamento entre o homem e a mulher seria marcado pelo conflito; a mulher “desejaria” dominar seu marido, e seu marido exerceria seu “domínio” sobre ela. A terceira interpretação parece especialmente provável à luz de uma construção de palavras similar em Gênesis 4:7: “Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo.

c. O Julgamento Divino sobre o Homem (vs. 17-19):

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5. No divino julgamento sobre a serpente em Gênesis 3:14-15 é encontrada uma das maiores promessas da salvação em toda a Bíblia (v. 15). Esta promessa foi chamada de protoevangelho [Latim: proto, primeiro + evangelium, evangelho]. Escreva seus comentários sobre este texto.

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Nota: Jesus Cristo é a eventual “semente” ou descendência da mulher. Na cruz, Satanás feriu o calcanhar de Cristo (isto é, Cristo foi ferido, mas não mortalmente; Ele ressuscitou dos mortos). Através da mesma cruz, Cristo feriu a cabeça de Satanás (isto é, Satanás foi ferido mortalmente; ele foi derrotado para sempre).

Questões Importantes Sobre a Queda

O registro das Escrituras sobre a queda fornece a única explicação adequada para o presente estado decaído do homem e o mal que nos cerca. É também mediante este plano de fundo tenebroso que as resplandecentes glórias da misericórdia e da graça de Deus surgem. Nossa compreensão mínima das glórias de Cristo e Seu Evangelho é diretamente proporcional ao nosso entendimento da tragédia de Adão e sua condenação.

Em nosso estudo da queda, nos deparamos com algumas das questões mais importantes e complexas de todas as Escrituras: a origem do mal, a natureza da liberdade humana, a soberania de Deus, e Seu eterno propósito. Ainda que o que conhecemos a respeito de tais questões será sempre envolto em um determinado grau de mistério, é necessário que nos esforcemos por conhecer o que pudermos. Façamos as seguintes questões:

Como Adão pôde cair?

Deus ordenou a queda?

Qual o propósito eterno de Deus na queda?

COMO ADÃO PÔDE CAIR?

As Escrituras afirmam que a queda não ocorreu devido a nenhuma falha no Criador. Todas as obras de Deus são perfeitas (Deuteronômio 32:4), Ele não pode ser tentado pelo pecado (Tiago 1:13), nem pode Ele tentar outros com o pecado (Tiago 1:13). A culpa pela queda repousa perfeitamente sobre os ombros de Adão. Como Eclesiastes 7:29 declara: “Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.”

Esta verdade apresenta um dos maiores problemas teológicos em todas as Escrituras: como é possível que uma criatura criada à imagem de Deus veio a escolher o mal e o pecado? Adão e Eva tinham uma verdadeira inclinação para o bem, e não havia nenhuma corrupção ou mal neles para qual a tentação pudesse apelas. Como tais justos seres puderam escolher o mal ao invés do bem, e escolher as palavras de uma serpente ao invés das ordens de seu Criador, está além da compreensão humana.

Houve numerosas tentativas ao longo da história de explicar a queda de Adão, mas nenhuma delas deixa de ter suas limitações. Devemos, portanto, nos contentarmos com a simples verdade da Escritura que, embora tenha Deus feito o homem justo e santo, ele era finito e mutável (isto é, sujeito a mudança) e capaz de fazer uma escolha contrária à vontade de Deus.

DEUS ORDENOU A QUEDA?

A palavra ordenar significa colocar em ordem, dispor, ou designar. Perguntar se Deus ordenou a queda é perguntar se ele a colocou em ordem, a dispôs, designou que ela ocorresse. Outras palavras que carregam significado similar são: “decretar”, “predeterminar”, e “predestinar”. Deus determinou de antemão ou decretou que a queda deveria ocorrer? A resposta para esta pergunta é “sim”, mas nós devemos ter muito cuidado com o que isto significa e o que isto não significa.

A ordenança de Deus da queda não significa que Ele forçou Satanás a tentar nossos primeiros pais, ou que Ele os coagiu a desprezar Sua ordem. O que as criaturas de Deus fizeram, elas fizeram por sua própria vontade. Deus é santo, justo, e bom. Ele não peca, não pode ser tentado pelo pecado, Ele não tenta ninguém ao pecado.

A ordenança de Deus da queda significa que isto era certo de acontecer. Foi da vontade de Deus que Adão fosse testado, e foi da vontade de Deus deixar que Adão tanto se mantivesse de pé quanto caísse sozinho sem o auxílio divino que poderia tê-lo impedido de cair. Deus poderia ter impedido que Satanás dispusesse a tentação diante de Eva, ou à face de tal tentação, Ele poderia ter dado a Adão uma graça sustentadora especial para capacitá-lo a triunfar sobre ela. A partir do testemunho das Escrituras, entendemos que Ele não fez isso.

A ordenança de Deus da queda também significa que ela foi parte de Seu plano eterno. Antes da fundação do mundo, antes da criação de Adão e Eva e a serpente que os tentou, antes da existência de qualquer jardim ou árvore, Deus ordenou a queda para Sua glória e o bem maior de Sua criação. Ele não meramente permitiu que nossos primeiros pais fossem tentados e então esperou para reagir a qualquer escolha que eles viessem a fazer. Ele não meramente olhou através dos corredores do tempo e viu a queda. Mas a queda era uma parte do plano eterno de Deus, e Ele predeterminou ou predestinou que ela deveria e iria acontecer.

Neste ponto, uma questão muito importante surge:

“Deus é o autor do pecado?”

Esta questão pode e deve ser respondida com uma forte negativa. Deus não é o autor do pecado, nem coage o homem a pecar contra Ele. Embora Ele tenha predeterminado que a queda deveria e iria acontecer, Ele também predeterminou que ela deveria acontecer através das ações voluntárias de Satanás, Adão e Eva. Ainda que nossas mentes finitas não possam compreender plenamente como Deus pode ser absolutamente soberano sobre todo evento da história e sobre cada ato individual sem destruir a liberdade individual, as Escrituras abundam em exemplos que demonstram que isto é verdade. José foi vendido à escravidão através do pecado deliberado de seus irmãos, e ainda assim, quando a história final foi contada, José declarou: Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus intentou para o bem, para fazer o que se vê neste dia, isto é, conservar muita gente com vida” (Gênesis 50:20 AA). O Filho de Deus foi crucificado como o resultado do pecado deliberado do homem e a hostilidade para com Deus, e ainda assim Deus ordenou ou predeterminou a morte de Cristo antes da fundação do mundo. Nas Escrituras nós lemos:

“… sendo este [Jesus] entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mão de iníquos.” -Atos 2:23

“Porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram.” -Atos 4:27-28

A partir das Escrituras, nós vemos que Deus ordena ou predetermina um evento para que ele ocorra e ainda assim faz com que ele aconteça através do pecado deliberado do homem. Ele faz isso sem que seja o autor dos pecados dos homens ou coagindo-os para que o façam sem que seja da vontade deles. Homens ímpios deliberadamente pregaram Jesus Cristo à cruz e foram responsáveis por suas ações, mas o evento inteiro estava de acordo com o plano predeterminado de Deus. A queda de Satanás, e a queda da raça humana mais tarde através de Adão e Eva, foram resultados de seus próprios pecados pelos quais apenas eles são responsáveis, e ainda assim os eventos aconteceram de acordo com o ordenado, predeterminado, predestinado plano de Deus. Deus decretou um grande propósito eterno para Sua criação, e ordenou cada evento da história pelos quais tal propósito está sendo cumprido. Nada, nem mesmo a queda do homem ou a morte do Filho de Deus, ocorre à parte do decreto soberano de Deus.

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” -Romanos 11:33-36

“…nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade…” -Efésios 1:11

QUAL O PROPÓSITO ETERNO DE DEUS NA QUEDA?

Tendo demonstrado que a queda foi resultado da desobediência deliberada da criatura e ainda assim de acordo com o eterno propósito de Deus, agora é necessário que nos esforcemos por conhecer tal propósito eterno. À luz do mal e do sofrimento que resultaram da queda, pode parecer difícil aceitar que possa ter havido qualquer bom propósito nela. Todavia, a Palavra de Deus nos assegura que existe tal propósito.

Sabemos a partir das Escrituras que a criação do universo, a queda do homem, a nação de Israel, a cruz de Cristo, a Igreja, e o julgamento das nações têm um grande e derradeiro propósito: Que a plenitude dos atributos de Deus seja revelada a Sua criação e que toda a criação O conheça, O glorifique, e deleite-se plenamente n’Ele como Deus.

A Plena Revelação dos Atributos de Deus

Deus criou o universo para ser um teatro sobre o qual Ele possa exibir a infinita glória e valor de Seu ser e seus atributos, para que Ele seja plenamente conhecido, adorado, e apreciado por Sua criação. Foi dito por muitos que a queda do homem é o céu negro sobre o qual as estrelas dos atributos de Deus brilham com a maior intensidade de glória. É apenas através da queda e o advento do mal que a plenitude do caráter de Deus pode ser verdadeiramente conhecida.

Quando um Cristão adora a Deus, quais são os atributos que lhe parecem mais queridos? Não são a misericórdia, a graça e o amor incondicional de Deus? Não são estes atributos divinos mais exaltados em todos os grandes hinos da Igreja? Mas como estes atributos poderiam ser conhecidos senão através da queda do homem? O amor incondicional somente pode ser manifesto sobre homens que não correspondem às condições. A misericórdia somente pode ser derramada do trono de Deus sobre homens que merecem a condenação. A graça somente pode ser concedida a homens que não fizeram nada para merecê-la. Nossa decadência é nosso feito, pelo qual somos obrigados a assumir plena responsabilidade. Ainda assim é através do teatro negro de nossa decadência que a graça e a misericórdia de Deus são postas no centro do palco e brilham sobre um público tanto de homens quanto de anjos. É na salvação dos homens caídos que a sabedoria, a graça e a misericórdia de Deus são reveladas, não apenas ao homem, mas também a todo ser criado nos céus, na terra e no inferno.

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. -Efésios 2:4-7

A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais. -Efésios 3:8-10

A Plena Revelação das Glórias de Cristo

A maior obra de Deus é a morte e a ressurreição do Filho de Deus para a salvação do povo de Deus. Contudo, se o homem não tivesse caído, não haveria Calvário e nem Salvador. A própria coisa que mais elucida a Deus (João 1:18), nos atrai para Ele (João 12:32), e faz com que O amemos (1 João 4:10, 19) desapareceria. O que tomaria seu lugar? Que outros meios poderiam ter sido usados para demonstrar as imensuráveis misericórdias de Deus? Cristo crucificado é o grande tema de todo digno hino, sermão, conversação, e pensamento cristãos. Sem a queda, a redenção seria desconhecida a nós. Nós seríamos como os anjos, anelando perscrutar algo que nós nunca poderíamos experimentar (1 Pedro 1:12).

É errado, e beira a blasfêmia, até mesmo insinuar que a cruz de Cristo foi um mero Plano “B” que foi posto em prática somente por causa da escolha errada de Adão no jardim. A cruz é o evento principal para o qual qualquer outra obra da providência de Deus aponta. Todas as coisas permanecem em sua sombra. De uma forma, a cruz foi necessária por causa da queda, mas por outro lado, a queda foi necessária para que as glórias de Deus na cruz de Cristo pudessem se dar a conhecer plenamente.

A Plena Revelação da Dependência da Criatura

Uma das verdades mais impressionantes sobre Deus é que Ele é absolutamente livre de qualquer necessidade ou dependência (Atos 17:24-25). Sua existência, o cumprimento de Sua vontade, e Sua alegria ou beneplácito não dependem de nada nem ninguém fora de Si mesmo. Ele é o único ser que é de fato autoexistente, autossustentado, autossuficiente, independente e livre. Todos os outros seres derivam suas vidas e felicidades de Deus, mas Deus encontra tudo o que é necessário para Sua própria existência e perfeita alegria em Si mesmo (Salmo 16:11; Salmo 36:9).

A existência do universo requer não apenas o ato inicial da criação, mas também o contínuo poder de Deus para sustentá-lo (Hebreus 1:3). Se Ele retirasse Seu poder mesmo por um momento, tudo se tornaria caos e destruição. Esta mesma verdade pode ser aplicada ao caráter dos seres morais, quer sejam anjos ou homens. Adão no paraíso e Satanás no céu, ainda que tenham sido criados justos e santos, não poderiam permanecer em pé à parte da graça sustentadora de um Deus Todo-Poderoso. Quão menos somos nós capazes de permanecer em pé e quão mais rapidamente cairíamos à parte da mesma graça sustentadora? A queda, portanto, fornece o maior exemplo de nossa constante carência de Des. Se não podemos continuar nossa existência além de nosso próximo fôlego exceto pela preservação de Deus, quão menos somos capazes de manter qualquer aparência de justiça diante d’Ele à parte de Sua graça? (João 15:4-5; Filipenses 2:12-13).

Proximos capítulos em breve ...








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