sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O ser humano não faz escolhas, mas mesmo assim é responsável por elas


McGregor define responsabilidade como um simples sinônimo de “prestar contas” e significa que devemos responder diante de Deus, o juiz, pelas nossas ações. Embora na bíblia não venhamos encontrar especificamente o termo responsabilidade, ela é bastante clara que um dia teremos que prestar contas, e seremos chamados para um juízo. Quando se é tratada desse tema responsabilidade humana e soberania de Deus, sem dúvida terá que ser tratado de uma antinomia, mas o será?


O dicionário Aurélio define antinomia como: Conflito entre duas asserções demonstradas ou refutadas, aparentemente com igual rigor. J.I Packer (1966, p. 16) declara que o ponto básico da antinomia – pelo menos na teologia – é que não se trata de uma contradição real, embora assim pareça. Mas trata-se apenas de uma incompatibilidade aparente entre duas verdades evidentes. Dá-se uma antinomia quando dois princípios são opostos lado a lado, aparentemente irreconciliáveis, mas ambos inegáveis.

J.I Packer explica que as escrituras declaram que Deus como Rei ele domina absolutamente sobre tudo e controla todas as coisas, por ter seu propósito eterno às ações humanas também são controladas pelo Rei, como juiz Ele coloca o ser humano responsável por cada escolha feita, e através destas escolhas o homem prestará contas para o grande juiz. Paulo declara que a ele foi colocada a responsabilidade de pregar o evangelho “... sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1 Co 9.16). Packer declara que o homem é um agente moral responsável, embora seja também divinamente controlado.

“Para nossas mentes finitas, naturalmente, trata-se de algo inexplicável. Parece-nos uma contradição, e nossa primeira reação é nos queixarmos de que se trata de um absurdo. Paulo menciona essa queixa no nono capítulo de Romanos. “Tu, porém, me dirás: De que se queixas ele (Deus) ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade?”(Romanos 9.19). Se, como nosso Senhor, Deus ordena todas as nossas ações, como Lhe pode ser razoável ou justo agir também como juiz, condenando as nossas falhas?”

A bíblia tem a resposta para esse espírito de objeção quando Paulo declara: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?”. O que tem que ficar esclarecido é que o homem tem uma natureza caída sendo assim não passa de um pecador, e não pode tentar achar falhas nos caminhos de Deus. É insensato e irreverente alguém questionar a retidão dos caminhos de Deus. Pois o oleiro tem o direito de fazer o que bem entende com seu barro (Is 64.8).

“Deus nos fez agentes morais responsáveis, e não nos tratará como se fôssemos menos do que isso. Sua Palavra é dirigida a cada um de nós individualmente, e cada um de nós é responsável pelo modo como corresponde – pela sua atenção, sua crença ou incredulidade, pela sua obediência ou desobediência. Não podemos evitar a responsabilidade pela nossa reação à revelação de Deus. Vivemos debaixo de Sua lei. Precisamos prestar-Lhe contas de nossas vidas”.

McGregor declara que a bíblia baseia a responsabilidade em quatro coisas (1) somos responsáveis porque Deus é o criador e nós somos criaturas, (2) somos responsáveis porque Deus é o ponto de referência moral para o certo e o errado, e não nós próprios, (3) somos responsáveis pelo conhecimento que temos, (4) somos responsáveis porque o propósito Da criação é a glória de Deus.

“(1) Deus tem liberdade de chamar qualquer elemento de sua criação para responder diante dele a qualquer hora – é simplesmente sua prerrogativa como Senhor Soberano, a responsabilidade está baseada na nossa ontologia, ou no nosso ser, criaturas. No final, todos nós compareceremos perante o tribunal de Deus”. (2) Somos responsáveis diante de Deus porque ele é o ponto de referência moral para o que é certo e errado, e não nós próprios. Nossa responsabilidade diante de Deus é uma necessidade ética, por causa da necessidade de um padrão fora de nós mesmo. (3) Somos responsáveis diante de Deus pelo conhecimento que temos. Todos os pecadores pecam contra a luz e a verdade. Ninguém é destituído totalmente da luz da consciência, e seremos julgados de acordo com a luz que temos (Rm 2.12-16). Aqueles que têm menos conhecimento serão julgados menos severamente do que aqueles que pecam com mais luz, responsabilidade epistemológica. Somos responsáveis pelo que conhecemos. (4) Somos responsáveis porque o propósito da criação é a glória de Deus (Is 43.7; Cl 1.16; Ap 4.11), e somos responsáveis como mordomos das bênçãos de Deus para cumprir o fim ou propósito de Deus em criar-nos no mundo, responsabilidade teleológica, porque ela diz respeito à nossa tarefa como servos no desígnio da criação, que é a de trazer glória a Deus.

McGregor explica que a responsabilidade humana não se baseia em nenhuma teoria do livre-arbítrio, ou seja, a relação aqui é entre o Criador e a criatura isso é o que a bíblia ensina, e ele relaciona com as quatro áreas clássicas da ontologia , da ética, da epistemologia e da teleologia , trocando em miúdos a responsabilidade humana nada, mas é do que um reflexo da nossa relação com Deus como Criador.

“E se Deus, é de fato, o ponto de referência máxima para o significado nas quatro áreas do ser, do conhecer, da ética e do propósito, onde poderia a criatura permanecer para elaborar uma crítica racional de qualquer coisa que Deus possa fazer? Esse é o ponto filosófico em que se baseia o desafio de Paulo em Romanos 9.20: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?”. Não há simplesmente nenhum ponto de partida disponível para um ser finito num universo finito. Para uma criatura, todos os pontos são relativos. Somente ao ouvir primeiro a revelação de Deus pode um ser finito ter qualquer ponto de referência fixo”.

J.I Packer explica que o homem sem Cristo é um pecador cheio culpas e é responsável diante de Deus por haver quebrado Sua lei, e justamente por isso que o homem precisa do evangelho, para que através de Cristo haja reconciliação, e quando isso o acontece é responsabilizado pela decisão que toma a respeito, então o homem sempre será responsabilizado por todos os seus atos, se não haver um encontro com Cristo, ele será penalizado por ter quebrado Sua lei, e quando Deus o resgata ele se torna responsáveis por suas atitudes dali em diante. No próximo capítulo será analisado a justiça de Deus quando julga um pecador.



WRIGHT, R. K. McGregor. A Soberania Banida: redenção para a cultura pós-moderna. São Paulo: Cultura Cristã, 1998. p. 59.
PACKER, J. I. Evangelização e Soberania de Deus. São Paulo: Vida Nova, 1966. p. 18.
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